De um momento para o outro, parece que o dia encolheu. Ainda há semanas jantávamos com luz lá fora e, de repente, às seis e meia já está escuro. Não é impressão tua nem exagero: os dias estão mesmo a ficar mais curtos, e há uma razão científica para a perda de luz parecer tão rápida nesta altura do ano.
O que está a acontecer no céu
A Terra anda inclinada. É essa inclinação do eixo, de cerca de 23,5 graus, que dá origem às estações: consoante a altura do ano, o nosso hemisfério aponta mais ou menos para o Sol. No verão, aponta-lhe mais e temos dias longos; no inverno, aponta-lhe menos e os dias encurtam.

Em setembro passámos pelo equinócio de outono, o dia em que a duração do dia e da noite é praticamente igual. A partir daí, e até dezembro, a noite ganha terreno todos os dias, até ao solstício de inverno, por volta de 21 de dezembro, o dia mais curto do ano.
Porque é que parece tão rápido agora
Aqui está a parte contraintuitiva, e a verdadeira resposta à tua pergunta. A luz não se perde à mesma velocidade o ano inteiro.
Perto dos solstícios, no pico do verão e no pico do inverno, os dias mudam de duração muito devagar, daí a sensação de que o verão “para” durante semanas com dias enormes. Mas perto dos equinócios, como agora, a duração do dia muda à velocidade máxima. É nesta época que se perdem mais minutos de luz por dia, o que faz o anoitecer recuar depressa, de forma bem visível de uma semana para a outra.
É por isso que sentes a diferença tão de repente em setembro e outubro, e quase não a notas em junho ou dezembro. A física é a mesma; a velocidade da mudança é que não é.

E ainda vai piorar (por uns dias)
Há um empurrão extra a caminho. No último domingo de outubro muda a hora, os relógios recuam. A partir daí o sol passa a pôr-se cerca de uma hora mais cedo no relógio. A luz total do dia não muda por causa disso, mas a sensação de escuridão ao fim da tarde agrava-se de repente.
Depois de dezembro, a tendência inverte-se: os dias voltam lentamente a crescer, mesmo em pleno inverno. Até lá, é adaptar e aproveitar a luz da manhã, que passa a ser a parte mais generosa do dia.






