Hoje em dia, qualquer automóvel relativamente recente já chega às estradas portuguesas com uma mão cheia daquilo a que normalmente se chama ADAS.
Fazes ideia do que é isto?
ADAS, ou Advanced Driver Assistance Systems (Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor), refere-se a um conjunto de tecnologias inteligentes presentes nos automóveis modernos. Estes sistemas utilizam sensores, câmaras e radares para monitorizar o ambiente envolvente, aumentar a segurança, prevenir acidentes e facilitar a condução, através de alertas ou intervenções automáticas.
Na UE, e aqui temos obviamente de incluir Portugal, existe um conjunto de ADAS obrigatórios para que um determinado automóvel possa entrar no nosso mercado. Aliás, é exatamente devido a esta obrigatoriedade que também assistimos a um encarecimento geral significativo na compra de um carro novo. A segurança é cara.

Dito tudo isto, as tecnologias são estas (mas, por vezes, aparecem com outros nomes dependendo da fabricante do automóvel em questão):
- Assistência Inteligente à Velocidade (ISA – Intelligent Speed Assistance): Sistema que utiliza câmaras e dados GPS para detetar limites de velocidade e alertar o condutor quando os ultrapassa.
- Travagem Autónoma de Emergência (AEB – Autonomous Emergency Braking): Sistema que deteta riscos de colisão com veículos, peões ou ciclistas e aciona os travões automaticamente se o condutor não reagir.
- Sistema de Manutenção na Faixa de Rodagem (ELKS – Emergency Lane Keeping Systems): Deteta se o veículo está a sair da sua faixa e aplica correções na direção para evitar acidentes.
- Aviso de Sonolência e Atenção do Condutor (DDAW – Driver Drowsiness and Attention Warning): Monitoriza o comportamento do condutor para detetar sinais de fadiga ou distração.
- Deteção de Marcha-atrás / Ângulo Morto (Reversing Detection): Sistemas de câmara ou sensores que alertam para a presença de peões ou objetos atrás do veículo.
- Gravador de Dados de Eventos (“Caixa Preta”): Regista dados essenciais segundos antes, durante e depois de um acidente.
- Sinal de Paragem de Emergência: Luzes de travagem que piscam rapidamente para alertar condutores atrás em caso de travagem brusca.
- Facilitação de Instalação de Alcoolock: Interface normalizada que facilita a instalação de sistemas de bloqueio do motor.
Mas… Por vezes estas ajudas assustam!
Tenho um carro relativamente recente com muitas destas tecnologias. Além disso, ando sempre a testar os mais recentes lançamentos das marcas a atuar em Portugal. Por isso, sei muito bem como é que tudo isto funciona, e sou dos primeiros a afirmar que estas tecnologias são necessárias nas estradas portuguesas.
Hoje em dia, os condutores estão muito menos atentos à estrada e, como tal, ter sistemas automáticos não salva apenas a vida de quem está ao volante. Salva também a vida de quem circula nas mesmas estradas.
Mas, entre confiar um pouco da minha vida a um sistema inteligente e deixar que o sistema faça tudo, ainda há um grande caminho a percorrer.
Todos os dias me assusto com uma ou outra ajuda à condução. Seja o sistema que deveria manter o carro entre linhas, mas que por vezes fica confuso com as linhas quase sempre apagadas ou mal desenhadas das nossas estradas, por vezes tão cansadas. Ou os sistemas de travagem que entram em pânico e, ocasionalmente, criam mais problemas do que soluções.
Já perdi a conta ao número de vezes em que o carro tenta sair da faixa de rodagem devido a uma seta que parece uma linha. Aliás, durante o dia de hoje, no meio do trânsito lisboeta, em que estava em pleno controlo do veículo… Tive uma travagem automática de emergência apenas porque o carro da frente travou um pouco mais repentinamente. Foi assustador… Para mim, e para quem vinha colado à minha traseira.
Sim, num futuro verdadeiramente autónomo, todos os veículos vão reagir da mesma forma, não existindo fator humano. Mas, hoje em dia, ainda é preciso ter muita atenção à estrada.
As ajudas não conduzem sozinhas, por isso, olhos bem abertos.







