Se olhaste para o céu nos últimos dias e o viste mais esbranquiçado e turvo, ou reparaste numa fina camada de pó no carro, já sabes porquê: Portugal continental está sob a influência de uma nuvem de poeiras do deserto do Saara. O fenómeno chegou na quinta-feira e, segundo as previsões, deve prolongar-se pelo fim de semana, só se dissipando por completo por volta de terça-feira, dia 8. A Direção-Geral da Saúde (DGS) já emitiu recomendações — sobretudo para quem é mais sensível.
O que são (e porque acontece)
Não há motivo para alarme: as poeiras do Saara são um fenómeno natural e recorrente. De tempos a tempos, a circulação atmosférica arrasta uma massa de ar quente e seco do Norte de África em direção à Península Ibérica, transportando com ela partículas minerais do deserto. Foi precisamente o que aconteceu agora, no seguimento dos dias de calor intenso.

O efeito mais visível é o céu turvo e a redução da visibilidade. Mas há um efeito menos visível que importa mais: a qualidade do ar piora, porque aumenta a concentração de partículas inaláveis (PM10), pequenas o suficiente para entrarem nas vias respiratórias.
Até quando fica e onde aperta mais
De acordo com o IPMA, as poeiras deverão manter-se durante todo o fim de semana, com a fase mais intensa entre a tarde de sábado e a manhã de domingo. As regiões do Centro e Sul, em especial o Alentejo e o Algarve, estão entre as mais afetadas, mas a pluma abrange praticamente todo o continente, chegando também ao litoral Norte (entre Porto e Braga) na madrugada de domingo.
A mudança começa na segunda-feira, quando a entrada de ar marítimo mais limpo do Atlântico deve empurrar as poeiras para fora. Já no início de terça-feira, dia 8, o episódio deverá estar praticamente dissipado.
Quem deve ter cuidado
Aqui está a parte importante. A DGS chama a atenção para os grupos mais vulneráveis, que devem redobrar os cuidados enquanto durar o fenómeno:
- Crianças e idosos;
- Doentes respiratórios crónicos, sobretudo com asma;
- Doentes cardiovasculares.
Para estas pessoas, a recomendação é clara: permanecer no interior dos edifícios sempre que possível, de preferência com as janelas fechadas, e não interromper a medicação habitual.

O que a população em geral deve fazer
Mesmo quem é saudável deve ter alguns cuidados nestes dias:
- Reduzir os esforços prolongados e limitar a atividade física ao ar livre (adiar aquela corrida ou o treino de rua).
- Evitar fatores irritantes para as vias respiratórias, como o fumo do tabaco.
- Manter as janelas fechadas nas horas de maior concentração de poeiras.
- Acompanhar a evolução da qualidade do ar através da app QualAr, da Agência Portuguesa do Ambiente.
Se notares um agravamento de sintomas respiratórios (falta de ar, tosse persistente, aperto no peito), a DGS aconselha contactar a Linha SNS 24, através do 808 24 24 24, ou procurar apoio médico.
No fundo, é um episódio passageiro e natural, mas, para quem tem problemas respiratórios ou cardíacos, uns dias de cuidados extra fazem a diferença. A boa notícia é que, a partir de segunda, o ar volta a limpar.






