Se tens andado atento aos meus artigos aqui na Leak, já percebeste que a crise dos componentes não está para brincadeiras. Entre a Apple a aumentar os preços de tudo, as placas gráficas pela hora da morte e as memórias RAM no meio do chamado “RAMpocalypse“, o mercado tecnológico transformou-se num autêntico campo de batalha para a nossa carteira.
Isto inclui as consolas de nova geração. Sim, estamos a falar da PlayStation 6. Afinal de contas, a atual PlayStation 5 já tem quase 6 anos de mercado. É natural que se comece a olhar para o futuro. De facto, seria completamente normal ver um lançamento já no próximo ano, com a PS5 a cumprir 7 anos de ciclo de mercado.
Mas, além de muítissimo mais cara, é também possível que a PS6 seja adiada para 2028 ou 2029. A Sony está a tentar evitar esse desfecho, mas a coisa não está nada fácil.
PlayStation 6: Componentes apontam para os 1000€. Mas calma!
Portanto, há cerca de três meses, os rumores apontavam para que o custo de fabrico (BoM) da PS6 andasse à volta dos 750 dólares, o que deixava antever um preço de lançamento na casa dos 699€, com a Sony a subsidiar o resto. Mas a verdade nua e crua é que a crise agrava-se a cada semana que passa. E as últimas informações deixadas pelo conhecido *leaker* Kepler_L2 no fórum NeoGAF são um autêntico soco no estômago dos jogadores: o custo de fabrico da PlayStation 6 disparou mais de 200 dólares e está agora perigosamente encostado à linha vermelha dos 1000 dólares.
Adiar o lançamento? Não pode ser
IMAGEM
Com custos de produção desta magnitude, a primeira ideia que vem à cabeça é que a Sony poderia adiar o lançamento da consola para tentar apanhar uma maré mais calma. Mas, na verdade, isso não faz lógica nenhuma. Se os preços da RAM e do armazenamento continuarem a piorar, e tudo indica que sim, adiar o lançamento só serviria para encarecer ainda mais o projeto. Por outro lado, se os preços estabilizarem, também não há razão para adiar nada.
Portanto, a Sony vai mesmo ter de avançar, e o cenário que se desenha é histórico.
De facto, nesta altura do campeonato, ver uma PlayStation 6 “Digital” a ser lançada por 999€ já seria o melhor cenário possível para os consumidores. Para termos noção do ridículo, nenhuma consola caseira na história da indústria alguma vez ousou quebrar a barreira psicológica dos 1000 euros. O mais perto que a Sony esteve disso foi com o traumático lançamento da PS3 a 599€ em 2006, que quase afundou a marca no início dessa geração.
Imaginar uma consola a mil euros é entrar em território completamente desconhecido.
Mas, a lista de materiais que dão vida à consola estão neste momento a tocar nessa quantia. Por isso, e mesmo a perder algum dinheiro, é o preço que a Sony pode utilizar para lançar a sua próxima consola.
O gaming está a tornar-se um luxo para ricos?
Eu gostava mesmo muito de dizer que não. Mas sim.
Sempre que existe alguma crise no lado do hardware, quem paga é o gamer. E depois de vários anos de caos, este panorama deixa-me seriamente preocupado com o futuro do mercado.
Entre consolas a roçar os quatro dígitos, jogos a caminho dos 90€ ou 100€ e serviços de subscrição cada vez mais caros, o gaming arrisca-se a deixar de ser o entretenimento das massas para se transformar num hobby exclusivo de quem tem muito dinheiro para gastar.





