Os Pixel a são quase sempre aquilo que a Google faz de melhor. Aparelhos equilibrados, focados na experiência real do utilizador, sem preços absurdos à mistura. Ou seja, boa bateria, Android puro, câmaras fortes e suporte de software que dura quase uma década.
Como seria de esperar, o novo Pixel 10a chega exatamente com essa missão. Porém, ao contrário daquilo que aconteceu em outras gerações, este Pixel 10a tem um grande fantasma em cima. É muito similar ao Pixel 9a do ano passado.
Como assim? Os telemóveis não são sempre iguais de um ano para o outro nos tempos que correm? Sim, se pensas isso, tens toda a razão. É de facto muito raro ver grandes evoluções de um ano para o outro. Mas este Pixel 10a é um pouco diferente nesse aspeto, para pior. Isto porque 99% do hardware é o mesmo face ao Pixel 9a do ano passado.
Podemos até dizer que o Pixel 10a é na realidade um Pixel 9a 2026. A pergunta aqui é… Isso tem algo de errado?
O design mudou? Em algumas coisas (muito) ligeiras
O Pixel 10a mantém a identidade visual da Google, é fácil dizer que gama é esta, e de onde vem este aparelho.
Dito isto, a barra de câmaras na traseira do aparelho deixou de existir no ano passado com o Pixel 9a. Mas ainda existia uma leve saliência que se notava ao toque. Em 2026 isso também deixa de existir. A traseira do Pixel 10a é tão plana quanto possível.
Além de tudo isto, a estrutura usa alumínio 100% reciclado e mantém certificação IP68, o que significa proteção contra água e pó. Algo que continua a não ser muito comum nesta faixa de preço.
É acima de tudo um smartphone que se sente premium ao toque. O que é bom!
Ecrã OLED com 120 Hz
O Pixel 10a conta com um ecrã Actua de 6.3 polegadas (OLED) com taxa de atualização de 120 Hz. Isto significa uma navegação mais fluída no sistema, animações mais suaves e uma experiência geral mais moderna. A proteção também foi reforçada com Gorilla Glass 7i, pensado para resistir melhor a quedas e riscos.
Vale a pena ainda salientar que o brilho aumentou face ao ano passado, sendo possível ir até aos 3000 nits.
Além disso, existem margens significativas à volta de todo o ecrã, o que pode ser estranho para alguns consumidores que estão habituados a aparelhos de gama-média um pouco mais evoluídos neste aspeto, mas agora, estas são totalmente simétricas.
No fim do dia, o ecrã é bom, apesar de ficar uns furos abaixo de qualquer topo de gama do mercado, o que é normal e até natural.
Tensor G4?
No interior encontramos o Tensor G4, o mesmo SoC que dá vida ao Pixel 9a e, claro, também aos modelos Pro dentro da mesma gama.
Ou seja, como já deves ter percebido, a Google decidiu não implementar um SoC de nova geração neste smartphone.
Porquê? A Google pode dizer muita coisa, mas é óbvio que a jogada aqui é muito simples de perceber.
Os preços estão a aumentar um pouco por todo o lado, especialmente no lado da memória RAM e do armazenamento interno. Como tal, a gigante da pesquisa norte-americana decidiu fazer alguns cortes ligeiros.
Isto significou manter o mesmo SoC do ano passado, que agora está muito mais barato de produzir e montar num smartphone.
Ainda assim, para a gama média, é mais do que o suficiente. Ou seja, temos desempenho sólido para o dia a dia. E claro, acesso completo às funcionalidades de inteligência artificial da Google.
O smartphone chega com 8 GB de RAM e versões de 128 GB ou 256 GB de armazenamento.
A bateria é a grande estrela
O Pixel 10a chega com uma bateria de 5100 mAh, o que deverá significar cerca de 30 horas de utilização normal. Algo como um dia e meio para utilizadores mais casuais.
Também existe carregamento sem fios Qi, porém sem Pixel Snap. Não ter a componente magnética é uma pena, mas o carregamento sem fios ainda é muito raro na gama média, por isso… nada a dizer.
Câmaras continuam a ser um ponto forte? Sem dúvida!
Não vamos dizer que temos aqui um S26 Ultra ou um iPhone 17 Pro. Porque não temos. É um modelo de gama média com alguns compromissos.
Mas onde o hardware não chega, a Google aposta no processamento de imagem.
No fim do dia, o único problema mais a sério aqui vai ser o zoom, porque não existe lente telefoto.
O Pixel 10a traz:
- uma câmara principal de 48 MP
- uma ultra grande angular de 13 MP
- uma câmara frontal de 13 MP
Como seria de esperar, funcionalidades como Magic Editor e Best Take continuam presentes e usam inteligência artificial para melhorar fotos automaticamente.
Na prática, continua a ser dos melhores smartphones para fotografia nesta faixa de preço.






7 anos de atualizações? Sim!
Este é provavelmente o detalhe mais impressionante.
O Pixel 10a chega com Android 16 e a promessa de sete anos de atualizações entre sistema, segurança e novas funcionalidades.
Traduzindo isto para a vida real, o smartphone vai continuar atualizado até perto de 2033.
Sim, é verdade que muito dificilmente alguém vai apostar num Pixel 10a durante 7 anos. Mas ainda assim, ter um smartphone de gama média com este tipo de suporte é simplesmente absurdo.
Preço continua competitivo?
É uma pergunta complicada.
Isto porque o Pixel 10a é um bom smartphone e, tendo em conta a forma como o mercado está a lidar com a crise, não é um mau preço. Estamos a falar de 559€ para a versão base com 128GB de armazenamento. De facto, até facilmente arranjas boas promoções que baixam um pouco o valor.
Mas… se o Pixel 10a é um bom smartphone, o Pixel 9a também é. E esse smartphone ainda está nas prateleiras a preços bastante interessantes.
Vale a pena?
O Pixel 10a não tenta impressionar com números absurdos. Não tem câmaras gigantes, nem especificações exageradas.
Mas faz algo que muitos smartphones falham.
Entrega uma experiência equilibrada em praticamente tudo. Para mim, a única falha é ser um Pixel 9a com alguns pózinhos extra.














