A crise do Estreito de Ormuz é um problema sério para todos nós. Abre, fecha, está aberto e fechado ao mesmo tempo. Já ninguém percebe muito bem o que está a acontecer.
Mas, a realidade é só uma. Mesmo que o estreito abra agora, e nunca mais feche. A crise é muito provavelmente inevitável.
Afinal de contas, estamos literalmente entre 1~3 meses de um choque de abastecimento global que pode fazer disparar a inflação para níveis nunca vistos. O que claro está, vai estoirar com a economia a uma escala global.
Há quem ache que abrir as torneiras do petróleo é como carregar no botão do PC para o tirar do modo de suspensão, mas não é assim que as coisas funcionam.
Petróleo parado é um problema
O primeiro grande problema está na própria extração.
Ou seja, quando um poço de petróleo fica selado ou parado durante meses devido à guerra e à instabilidade regional, a água infiltra-se nos reservatórios e destrói a pressão natural. Muitos poços simplesmente perdem a capacidade de extração original para sempre. Para piorar, o crude que fica estagnado arrefece dentro das tubagens, criando autênticos entupimentos de cera em quilómetros de aço debaixo e acima da terra.
Voltar a pôr isto a andar não é um estalar de dedos! Exige puxar tubagens monstruosas para furar a cera física, algo que demora entre semanas e meses.
A situação nas refinarias não é melhor!
Estas megaestruturas foram desenhadas para trabalhar continuamente a temperaturas altíssimas. Quando são desligadas, o metal arrefece e contrai. Qualquer engenheiro te pode confirmar isto. O momento mais perigoso de uma refinaria é o arranque, não a operação em si. Forçar um arranque a frio para responder à pressa à procura do mercado é receita certa para dilatações desorganizadas, falhas, incêndios e explosões que atiram as reparações para anos.
A juntar ao hardware degradado, há uma crise humana gritante.
Estas refinarias perderam muito do seu staff. Os técnicos hiperespecializados e experientes não ficaram sentados ao telefone à espera que a indústria reabrisse. Muitos reformaram-se mais cedo e os restantes levaram as suas famílias para longe daquele barril de pólvora, arranjando empregos noutras indústrias mais seguras.
Vai ser necessário voltar a contratar, e a ensinar como tudo se faz e acontece.
No mar não está melhor.
Se olharmos para o mar, o cenário não melhora. Centenas de superpetroleiros estiveram meses parados nas águas quentes do Golfo Pérsico. O resultado? Mais do mesmo. Nada recomeça de um momento para o outro.
Conclusão
O mercado mundial do petróleo é controlado por algoritmos e contratos de futuros, os chamados “barris de papel”. Quando a crise ficar aparente para todos, os preços vão subir. Talvez de forma incontrolável.
Claro que nada disto está confirmado. Mas o medo é cada vez maior. Sendo extamente por isso que vários especialistas falam cada vez mais do tema. Acima de tudo, é boa ideia ficar atento que vai acontecer nas próximas semanas.






