É a mesma história de sempre. Quando o petróleo sobe, existem logo subidas nos postos de abastecimento como resposta. Mas, quando acontece o inverso, a “resposta” já é bastante mais lenta. É quase como se tivesses uma ligação à internet de fraca qualidade. Há muito “lag”!
Dito tudo isto, como desta vez o petróleo caiu de uma forma muito significativa, tivemos logo a habitual febre de justificações corporativas. Ou seja, o preço do petróleo Brent caiu a pique no mercado internacional, registando uma queda monumental de quase 10% numa única semana. Como tal, foi preciso elucidar os portugueses do porquê de o preço não ter mexido um único cêntimo.
Afinal de contas, no papel, isto deveria significar um alívio imediato para as carteiras dos condutores na hora de abastecer. Mas calma… Estamos em Portugal.
Petróleo caiu à bruta. Mas… Combustíveis não mexeram. Porquê?
Por cá, a resposta oficial das associações do setor é que a descida foi apenas “um bocadinho” e que, por isso, decidiram estabilizar os preços. Dá vontade de rir, para não chorar.
Nas muitas threads e debates que correm pelas redes sociais, a indignação é geral e com toda a razão.
A verdade é que os portugueses continuam a pagar até 40 cêntimos a mais por litro de combustível face aos nossos vizinhos em Espanha, e num depósito de 50 ou 60 litros, isso faz toda a diferença.
A inércia que só funciona para um lado?
Há quem venha para o debate tentar introduzir uma suposta racionalidade económica, falando em “custos de reposição de stock”, “inércia de mercado” e no facto de a matéria-prima valer apenas uma percentagem do preço final. Dizem que a gasolina que se vende hoje foi feita com petróleo comprado mais caro há semanas.
É um argumento muito bonito, sim senhor, e é também verdade. Mas quando o petróleo aumenta, a gasolina que está nos postos também foi feita com petróleo comprado a preços mais baixos e o aumento chega no dia seguinte.
Esta famosa inércia só funciona para um dos lados, e não devia.
Mas. A realidade é que o produto é mais barato em Portugal. Os impostos é que enfim…
Mas para sermos totalmente justos e olharmos para os dados reais, o verdadeiro crime não está no produto antes de impostos. Curiosamente, se retirarmos a carga fiscal da equação, a gasolina e o gasóleo até são ligeiramente mais baratos em Portugal do que em Espanha. O nó da questão está mesmo na fiscalidade aplicada à boca da bomba.
Em Portugal, assim que o Estado deita a mão ao combustível, o preço dispara para valores pornográficos.
Aliás, os ajustes ao ISP são a fórmula perfeita para arrecadar receitas. Ou seja, quando o preço da matéria-prima desce, a carga fiscal ajusta-se para garantir que o Estado não perde um único cêntimo, sacudindo a impopularidade da medida para cima dos distribuidores.
No fim do dia, entre a ganância legítima das margens das grandes marcas e a gula fiscal do Estado, o português continua a ser extorquido sempre que vai atestar o carro.





