As aplicações de navegação inteligente são ferramentas obrigatórias na nossa rotina diária. Usamos estes sistemas para encontrar o caminho mais rápido para o trabalho. Além disso, tentamos evitar longas filas de trânsito no regresso a casa. Inegavelmente, confiar cegamente nas sugestões de desvio que surgem no ecrã do smartphone é um erro de extrema gravidade. Por conseguinte, um estudo recente acendeu todos os alertas vermelhos. A investigação confirmou que mais de metade dos automobilistas abandona as vias rápidas devido às indicações automáticas dos mapas. Assim é preciso cuidado com este perigo presente no Waze, Google Maps e noutras aplicações de navegação.
O perigo oculto do Waze e Google Maps
Em primeiro lugar, importa perceber como funcionam softwares gigantes como o Google Maps ou o Waze. Estas plataformas analisam dados em tempo real. O objetivo principal é calcular a hora estimada de chegada ao destino. No entanto, quando detetam um forte engarrafamento na via principal, os algoritmos recalculam a rota de imediato. Desenham atalhos que distribuem os veículos por caminhos alternativos. Infelizmente, estes desvios automáticos direcionam os condutores para estradas rurais e vias municipais secundárias. De acordo com os dados estatísticos, estas estradas concentram cerca de 60% de todas as fatalidades rodoviárias. Este número é assustador. Afinal, as vias rurais lidam com apenas 45% do tráfego total.
Em Portugal, a realidade deste perigo com o Waze e Google Maps é igualmente preocupante
As estatísticas nacionais da sinistralidade rodoviária continuam a demonstrar este cenário negro. A esmagadora maioria dos acidentes graves ocorre precisamente fora das autoestradas. As estradas secundárias nacionais apresentam condições estruturais muito mais perigosas. Normalmente, estas vias não têm separadores centrais físicos. As bermas são muito reduzidas ou inexistentes. Adicionalmente, o piso degradado e as curvas sinuosas com visibilidade restrita criam cenários de alto risco. Há também o perigo da presença imprevisível de tratores ou animais na via. Os condutores avançam por ali sem conhecer a região apenas porque o ecrã do telemóvel mandou.
Os dados concretos da investigação revelam uma tendência clara na nossa dependência tecnológica. Cerca de 42% dos motoristas recebem propostas de desvio a meio da viagem. Mais alarmante ainda é o facto de 54% dos condutores aceitarem a rota rural proposta. O conselho das organizações de segurança é extremamente simples. O bom senso deve sobrepor-se sempre às ordens do ecrã do telemóvel. O condutor deve ignorar as sugestões do GPS se o ganho de tempo não for significativo. Por exemplo, se a aplicação sugerir um trajeto rural sinuoso para poupar apenas dois minutos, ignore. A decisão mais inteligente passa por permanecer na autoestrada.
Casos dramáticos
Infelizmente, existem relatos internacionais drásticos de condutores que aprenderam esta lição da pior maneira. Um dos casos mais mediáticos ocorreu no ano passado, no Grande Prémio de Fórmula 1 de Las Vegas. Dezenas de veículos foram redirecionados pelo algoritmo diretamente para o meio do deserto. O objetivo era evitar um forte engarrafamento na autoestrada principal. Os condutores seguiram cegamente o mapa digital durante quase três horas por caminhos de terra batida. Só mais tarde perceberam a gravidade da situação e decidiram voltar para trás. Vários automóveis sofreram danos mecânicos severos na suspensão. A Google acabou por classificar a sugestão como um erro grave e removeu o trajeto do sistema.
Toda esta problemática expõe uma falha cultural profunda na nossa sociedade. Atualmente, a maioria dos utilizadores encara as indicações do GPS como ordens absolutas e infalíveis. Ao focar toda a atenção no ecrã, muitos condutores deixam de prestar atenção à sinalização real da estrada. Ignoram os avisos nos painéis digitais e desrespeitam as recomendações das autoridades. Em suma, o Waze e o Google Maps continuam a ser ferramentas fantásticas. Contudo, a segurança física deve estar sempre em primeiro lugar. É preferível perder alguns minutos numa fila controlada na autoestrada do que arriscar a vida num atalho perigoso.






