Certamente já te cruzaste com desafios estranhos nas redes sociais, mas o que está a acontecer agora com o chamado Desafio do Paracetamol ultrapassa todos os limites do bom senso. Esta tendência, que tem ganhado força em plataformas como o TikTok, incentiva crianças e adolescentes a ingerirem quantidades massivas deste medicamento para ver quem aguenta mais tempo antes de precisar de assistência hospitalar. Este é apenas um dos perigos nos ecrãs no meio de muitos que andam por aí.
Perigo nos ecrãs: o que é este desafio e porque é tão perigoso?
Embora esta moda não seja propriamente nova, tendo surgido por volta de 2018, o seu recente ressurgimento está a deixar as autoridades de saúde em alerta máximo. Basicamente, os jovens competem entre si para testar a sua resistência à toxicidade. No entanto, o que muitos não percebem é que o paracetamol, sendo um fármaco extremamente comum e acessível, esconde um risco fatal quando as doses terapêuticas são ignoradas.
Além disso, há relatos alarmantes de adolescentes que chegam a tomar dez gramas de uma só vez. Para teres uma ideia da gravidade, isto equivale a vinte comprimidos de 500 miligramas. Consequentemente, hospitais em vários países europeus, incluindo a vizinha Espanha, têm recebido cada vez mais jovens com sintomas graves de intoxicação.
A armadilha do silêncio no organismo
Um dos aspetos mais assustadores desta situação é que a sobredosagem de paracetamol não provoca sintomas imediatos e óbvios. Pelo contrário, os danos desenvolvem-se de forma silenciosa e interna. Nas primeiras horas, podes nem sentir nada de especial, mas o teu fígado está a ser destruído progressivamente.
Posteriormente, entre as 24 e as 48 horas após a ingestão, podem surgir lesões hepáticas gravíssimas. Se não houver uma intervenção médica rápida, a situação pode evoluir para uma insuficiência hepática total, onde apenas um transplante urgente de fígado conseguirá salvar a vida da pessoa. Portanto, o que começa como uma brincadeira para ganhar visualizações pode terminar, muito facilmente, de forma trágica.
Redes sociais: proteção ou proibição?
Tendo em conta estes episódios, torna-se inevitável questionar a segurança dos menores nestes espaços digitais. Compreendo perfeitamente o teu ponto de vista sobre a proibição das redes sociais para menores, pois este tipo de conteúdos demonstra que a curiosidade juvenil, aliada à pressão dos pares, pode ser uma mistura explosiva. Sem filtros ou supervisão, o algoritmo acaba por entregar desafios mortais diretamente na palma da mão de quem ainda não tem maturidade para avaliar o risco.
Por outro lado, em países como Portugal, o acesso ao paracetamol é relativamente fácil, uma vez que não exige receita médica. Esta facilidade de compra, somada à desinformação que circula online, cria o cenário perfeito para o desastre. Deves recordar-te que a dose máxima diária para um adulto saudável nunca deve ultrapassar as quatro gramas. Isto sempre com intervalos de quatro a seis horas entre tomas.
Como agir em caso de emergência
Se suspeitares que alguém próximo de ti caiu nesta armadilha, não esperes que os sintomas apareçam. A rapidez no tratamento é o fator determinante entre a recuperação e o dano irreparável. Deves procurar ajuda médica imediatamente, mesmo que a pessoa diga que se sente bem, pois o tratamento precoce é a única forma de bloquear os efeitos tóxicos no fígado.
Fica atento ao perigo nos ecrãs e acima de tudo, partilha esta informação com quem precisa. A consciência do perigo é, muitas vezes, a única barreira que resta contra estas tendências absurdas.








