Canivetes suíços ou produtos limitados? Os 4 grandes problemas das pens de streaming! – Há alguns anos, eram a melhor coisa do mercado. Baratas, competentes e extremamente compatíveis com tudo e mais alguma coisa. Mas… os tempos mudaram.
Ou seja, com a evolução galopante das Smart TVs modernas, comprar um dispositivo de streaming externo em formato de “pen” passou a ser muito mais difícil de justificar. Afinal de contas, os sistemas operativos integrados nas televisões atuais já trazem todas as aplicações de raiz, desde a Netflix à HBO Max. Além disso, as boxes ficaram muito mais poderosas e o preço não é assim tão diferente.
Mas as coisas não ficam por aqui.
O hardware não chega! Memória RAM ridícula e armazenamento sufocante
Portanto, a velha máxima do “recebes aquilo pelo qual pagas” aplica-se na perfeição aqui. Para conseguir vender pens de streaming a rondar os 20 a 50 euros, as marcas cortam tudo o que podem nos componentes internos. O exemplo mais flagrante é a nova Amazon Fire TV Stick HD, que traz uns míseros 1GB de memória RAM e apenas 8GB de armazenamento interno.
De facto, mesmo que optes pelos modelos de gama mais alta da linha, o armazenamento dificilmente passa para o dobro, o que continua a ser uma miséria para os padrões atuais. Este hardware minimalista significa que o aparelho foi desenhado exclusivamente para tarefas básicas de transmissão de vídeo. O que, claro está, significa que se começares a carregar o dispositivo com demasiadas aplicações, a interface vai começar a arrastar-se e vais sofrer com lentidão extrema e aplicações a irem abaixo sozinhas. Isto ao contrário do que acontece em boxes dedicadas ou em televisões premium.
A ditadura do Wi-Fi e o bloqueio total à pirataria no novo sistema da Amazon?
O segundo grande problema destes aparelhos é a dependência absoluta da tua rede sem fios. Como as pens de streaming são desenhadas para ocupar o mínimo espaço possível atrás da televisão, nenhuma delas traz uma porta de rede Ethernet integrada.
Desta forma, se o teu router estiver longe da TV ou se sofreres de interferências no Wi-Fi, vais passar a vida a ver o círculo de carregamento no ecrã. Além disso, nenhuma destas pens suporta a funcionalidade de descarregar filmes ou séries para ver offline, uma ferramenta que continua reservada a computadores, tablets e smartphones.
O cenário fica ainda mais negro no que toca à liberdade de software. Dispositivos da Amazon, Roku e Google são desenhados para te prender como prisioneiro dentro dos seus próprios ecossistemas. A Google e a Roku ainda utilizam bases Android que permitem ativar as opções de programador para instalar ficheiros APK externos, mas a Amazon decidiu cortar o mal pela raiz.
Para fechar o pacote de limitações, o suporte para acessórios é praticamente nulo. Estás limitado a usar cabos adaptadores específicos, pequenos teclados bluetooth ou os comandos oficiais da marca. Se o comando avariar ou se tentares instalar um inicializador de sistema (launcher) customizado para fugir à publicidade agressiva da página inicial, a marca pode simplesmente lançar uma atualização de firmware em background que quebra a modificação e bloqueia o teu aparelho de forma remota.
A minha visão?
Hoje em dia faz sentido comprar uma box decente, ou usar o sistema nativo da TV. Gastar dinheiro numa pen pode fazer sentido quando se olha para o preço, mas as dores de cabeça vão acabar por não compensar a poupança.





