Se andas a planear um upgrade ao teu computador, certamente já apanhaste um susto com os requisitos dos novos jogos. Atualmente, exigir 32GB de RAM tornou-se o novo normal no mundo do PC. No entanto, o que deixa qualquer utilizador confuso é o facto de as consolas de última geração correrem os mesmos títulos com apenas 16GB.
Esta diferença não é um erro de cálculo, mas sim o resultado de arquiteturas e filosofias de trabalho completamente opostas. Portanto, se queres perceber por que razão o teu PC parece um poço sem fundo para memória, vê estas razões fundamentais. Então quais são as diferenças ao nível de utilização de RAM entre PC vs Consolas?
PC vs Consolas: sabes porque é que o Windows devora tanta RAM?
1. A arquitetura de memória é totalmente diferente
A primeira grande razão prende-se com a forma como o hardware comunica. Nas consolas, existe o que chamamos de memória unificada. Isto significa que o processador e a placa gráfica partilham exatamente o mesmo pote de RAM.
Por outro lado, no teu PC, o sistema é separado. Tens a memória RAM para o sistema e a VRAM para a placa gráfica. Muitas vezes, a informação tem de ser duplicada entre as duas. Desta forma, acabas por gastar o dobro do espaço para guardar exatamente os mesmos dados.
| Componente | Consola (PS5/Xbox) | Computador (PC) |
| Tipo de Memória | Unificada (Partilhada) | Separada (RAM + VRAM) |
| Duplicação | Inexistente | Frequente e obrigatória |
| Eficiência | Máxima | Dependente do hardware |
2. O peso do sistema operativo
Deves ter consciência de que o Windows 11 não foi desenhado apenas para jogar. Ele é um sistema operativo robusto que gere periféricos, segurança, redes e centenas de processos em segundo plano. Mesmo com todas as otimizações, o Windows consome facilmente 4GB ou 5GB só para manter o PC ligado com boa performance.
Em contrapartida, os sistemas das consolas são magros e focados apenas numa tarefa: correr o jogo. Além disso, os programadores de consolas sabem exatamente quanto espaço o sistema ocupa, o que lhes permite aproveitar cada megabyte restante. No PC, a memória disponível é sempre uma incógnita.
3. A velocidade garantida do SSD
Nas consolas modernas, a velocidade de leitura do disco é uma constante. Como os produtores sabem que todos os utilizadores têm um SSD ultra-rápido, eles podem carregar texturas em tempo real sem sobrecarregar a RAM.
Entretanto, no PC, a realidade é outra. Como existem jogadores com discos rígidos lentos ou SSDs antigos, os estúdios usam a memória RAM como um buffer de segurança. Por consequência, o jogo carrega muito mais informação para a memória “por precaução”, para evitar que o jogo bloqueie em computadores menos potentes.
4. Otimização vs. Força Bruta
Por fim, há uma questão de custos e tempo. Otimizar um jogo para caber em 16GB de memória unificada dá muito trabalho e exige engenheiros qualificados. No PC, como é fácil para ti adicionar mais um módulo de RAM, os estúdios tendem a ser menos rigorosos.
Muitas vezes, é mais barato para uma empresa lançar um jogo que exige 32GB do que gastar meses a otimizar o código para que ele corra bem em 16GB. Nesse sentido, o PC acaba por ser o terreno da força bruta, enquanto as consolas são o reino da otimização fina.
Em suma, os teus 32GB são o preço que pagas pela versatilidade de teres um computador que faz muito mais do que apenas jogar. Contudo, agora já sabes que a PS5 não faz magia; apenas joga com regras diferentes.









