A indústria dos smartphones vive numa crise de identidade descarada. Estou farto de dizer isso. Parece que a Apple espirra, e todos as marcas à volta ficam doentes. Aliás, isto é mais grave nos dias que correm, porque durante anos, especialmente nas gamas mais premium, as marcas chinesas esforçaram-se por criar identidades visuais próprias, com ilhas circulares gigantes e acabamentos extravagantes para fugirem à sombra da Apple.
Mas pelos vistos a imaginação voltou a bater no fundo.
Um bom exemplo disto está na Honor, que acabou de mostrar as primeiras imagens oficiais do novo Magic 9 Pro Max e a primeira reação de qualquer pessoa que olhe para a traseira é imediata… É um iPhone Chinês.
Aliás, até o nome é o mesmo. Algo que começa a ser completamente normal nos aparelhos mais premium das fabricantes Chinesas, e que não deveria ser aceitável.
No entanto, se a carcaça faz lembrar o rival de Cupertino, a ficha técnica é puro músculo Android levado a um extremo. A marca decidiu enfiar números pornográficos em todo o lado! Dois sensores de 200 MP, uma parceria de vídeo com os monstros do cinema da ARRI, acessórios com teleobjetivas de 500 mm e uma bateria que envergonha tudo o que anda nas lojas.
E kit de fotografia profissional?

Em vez de manter o clássico círculo centralizado das gerações anteriores, a Honor adotou um patamar largo que ocupa o topo traseiro do telefone, numa tonalidade Moss Green (verde musgo). Tem a secção inferior recortada de forma suspeitosamente idêntica à silhueta recente dos iPhones topo de gama. Aliás, a Honor nem sequer está sozinha nesta manobra de fotocopiadora: as fugas de informação do Oppo Find X10 Pro Max mostram exatamente o mesmo caminho estético.
A diferença brutal começa naquilo que está embutido no hardware. O Magic 9 Pro Max traz um sensor principal de 200 MP (1/1.28″ e abertura f/1.57) e outro sensor de 200 MP para a câmara telefoto (1/1.4″ e f/2.6).
Para quem acha que o zoom digital não chega, a Honor vai lançar o “Photography Master Kit”.
Este kit inclui adaptadores óticos externos que se encaixam fisicamente na câmara: um pequeno teleconversor de 200 mm com apenas 88 gramas e uma monstruosa lente de 500 mm para quem quer apanhar a Lua ou fazer fotografia de vida selvagem no telemóvel sem truques de software manhosos. Para fechar o pacote audiovisual, a parceria com a lendária ARRI garante perfis de cor ARRI LogC3 e curvas de gama cinematográfica de estúdio diretamente no telemóvel.
8800 mAh de bateria!
Se as câmaras chamam a atenção dos fotógrafos, o pormenor que vai fazer o utilizador comum salivar é a bateria. O Honor Magic 9 Pro Max vai chegar ao mercado com uma célula de 8800 mAh.
Numa altura em que a Samsung e a Apple continuam a suar para meter 4500 ou 5000 mAh em equipamentos que custam mais de mil e quinhentos euros, a utilização agressiva de baterias de silício-carbono de alta densidade na China está a colocar as marcas tradicionais a passar uma vergonha tremenda.
Estamos a falar de carga para três dias de utilização despreocupada, mesmo a puxar pelo ecrã e pelas gravações de vídeo em 4K.
A apresentação completa na China está marcada para o dia 28 de setembro, altura em que saberemos os preços oficiais e se este monstro tecnológico vai ter passaporte para o mercado europeu. Pode ter a cara do iPhone, mas no peito bate o coração de uma autêntica máquina de guerra.








