Os painéis solares têm evoluido a um ritmo extremamente interessante. Mas, como é óbvio, ainda estamos muito longe dos níveis de eficiência que podem ser alcançados. Sendo exatamente por isso que a indústria se está a virar para a natureza para tirar algumas ideias… Por exemplo, a asa desta borboleta negra pode ser o segredo para tornar os painéis solares até 66% mais eficientes!
Painéis Solares mais eficientes? O segredo está na borboleta!

Isto pode não fazer sentido para muito boa gente, mas, a natureza tem uma capacidade quase absudar de resolver problemas complexos de engenharia muito antes de o ser humano sequer perceber que eles existiam.
Por exemplo, o formato do comboio bala também veio da natureza, ao imitar o bico de um pássaro.
Dito isto, se alguma vez olhaste para as asas de uma borboleta negra e pensaste que aquela cor escura e profunda se devia a uma simples pigmentação natural, a realidade é infinitamente mais fascinante. Isto porque, as asas destes insetos são cobertas por escamas microscópicas numa estrutura em rede, repleta de furos. Na prática, este ecossistema minúsculo funciona como um autêntico buraco negro para a luz, absorvendo uns impressionantes 99,94% da radiação solar e refletindo quase zero.
Ora, se no mundo da tecnologia e do fotovoltaico a grande dor de cabeça é precisamente a quantidade de luz que se perde por reflexão nas placas, a ciência decidiu fazer o óbvio… Copiar a receita da borboleta para revolucionar a forma como produzimos energia limpa.
Menos reflexão? É mais eletricidade!

Portanto, num estudo recente publicado na revista científica Solar Energy, uma equipa de investigadores decidiu simular o comportamento de placas de silício (o material base das células fotovoltaicas), esculpidas com a mesma geometria tridimensional encontrada nas asas de nove espécies de borboletas negras. Os resultados foram estrondosos. A quantidade de luz refletida e desperdiçada pela superfície do painel caiu a pique de mais de 35% para apenas 10%.
Assim, ao refletir menos luz, o silício conseguiu absorver mais energia. O que se traduziu num aumento da corrente máxima gerada pelas células que pode chegar aos 66%.
Como deves imaginar, para uma indústria que anda há décadas a lutar por ganhos marginais de 1% ou 2% de eficiência, um salto desta dimensão é um autêntico terramoto tecnológico.
100% de eficiência? É possível. Não, a física do universo não deixa!
Perante números destes, é fácil cair na tentação de sonhar com um futuro onde os painéis solares aproveitam a luz do sol a 100%. Mas antes que comeces a fazer festas, a física pura e dura está cá para nos dar um banho de água fria.
Eficiência total é coisa que não existe. Ou seja, além dos problemas práticos do dia a dia, como o sujidade, a poeira, os ângulos da instalação e o aquecimento excessivo das placas, existe uma barreira intransponível chamada Segunda Lei da Termodinâmica.
A lei do universo dita que qualquer conversão de energia envolve perdas inevitáveis, geralmente sob a forma de calor. Por mais avançada que seja a nossa tecnologia ou por muito perfeita que seja a cópia da asa da borboleta, nunca haverá um painel perfeito. Ainda assim, passar a produzir mais 66% de energia com o mesmo tamanho de painel é um passo gigante para a independência energética.







