5G está a chegar e os protestos também! Provoca mesmo cancro?


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O 5G já se começou a espalhar para diferentes partes do mundo. No entanto e apesar de todas as vantagens no campo da conetividade, a implementação não tem sido propriamente fácil. Um dos primeiros países no mundo a lançar comercialmente o 5G é a Suíça. Com esse lançamento chegaram os protestos. Muitas das pessoas que se têm vindo a manifestar acreditam que a radiação 5G afeta a saúde e o ambiente. Dito isto, as reivindicações é que a implementação desta tecnologia pare.

Esta não é a primeira vez que isto acontece. Diversos ambientalistas têm referido que esta tecnologia acarreta muito mais radiação que a tecnologia 4G.

Mas e o que diz a ciência e os testes feitos até agora? Provoca mesmo cancro? 

Com a transição para uma nova tecnologia de rede, algumas histórias assustadoras e muito familiares voltaram a aparecer na Internet. Eis alguns exemplos: o 5G faz cancro; – esta tecnologia leva a tumores cerebrais; – os telemóveis 5G emitem tanta radiação como um microondas; – os telemóveis provocam cancro!

Não é verdade!

Muitas das teorias acerca da radiação dos telemóveis que estão a circular na Internet  ainda pairam sobre a indústria desde a altura do 2G. Muitos estão erradamente preocupados com o 5G por associarem que mais velocidade e eficácia significa mais radiação. Nas próximas linhas vamos olhar para os principais estudos e tentar acabar com alguns rumores.

telemóveis provocam cancro

Os efeitos da radiação

A palavra radiação faz-nos lembrar de muitos perigos e até de bombas nucleares. Apesar de isto estar totalmente errado, há formas muito seguras de radiação. Na verdade, estamos constantemente a ser bombardeados com radiação, como os raios cósmicos do sol.

Há uma grande diferença entre a radiação segura e as formas mais perigosas encontradas em Chernobyl ou nos Raio-X. Esta é a diferença entre radiação ionizante e não ionizante. A radiação ionizante aparece em comprimentos de onda acima da luz ultravioleta, também conhecida como raios X e raios gama. Esta pode danificar o seu ADN, eliminado os eletrões presentes nas moléculas base, conduzindo a tumores e cancro.

Fonte: Wikipedia

As ondas de rádio de frequências mais baixas, como as utilizadas em redes móveis LTE, não são ionizantes. Ou seja, não podem causar o mesmo tipo de dano. No entanto, certos comprimentos de onda não ionizantes ainda podem causar danos, já que produzem calor com um nível de potência extremamente alto.

O limite seguro imposto, por exemplo, pela FCC nos smartphones impõe uma taxa de absorção específica (SAR) de 1,6 watts por kg (1,6 W / kg) de massa, ou seja, não consegue de forma nenhuma aquecer o seu corpo. Na Europa e na maioria dos outros países para além dos Estados Unidos, o limite ronda os 2,0 W/kg. Estes são os limites legais absolutos de exposição. Na maioria dos casos, os valores no mundo real são significativamente menores.

Uma máquina para bronzear é muito mais perigosa que os sinais LTE e WiFi.

Os telemóveis podem causar cancro?

Muitos estudos analisaram se a radiação eletromagnética de radiofrequência (RF EMR) pode afetar as pessoas saudáveis. Uma revisão de um estudo em 2009 e o estudo Interphone de 2010 resumiram a falta de conclusões acerca deste tópico. Em 2011, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou os smartphones como provocadores de cancro de Classe 2B, o que significa que a tecnologia pode estar ligada ao cancro. Isto não implica propriamente que o nível de exposição dos produtos comerciais seja perigoso. Outros carcinogéneos da classe 2B incluem picles, extrato de folhas de aloe vera.

Não houve resultados conclusivos que indiquem que as tecnologias móveis são realmente perigosas para os seres humanos, embora pareça o contrário. É que um simples estudo na Internet ou uma má leitura de um estudo pode transformar-se numa bola de neve nas redes sociais.

O Programa Nacional de Toxicologia dos EUA (NTP)

Em 2016, o Programa Nacional de Toxicologia dos EUA (NTP) divulgou um esboço dos resultados de estudos que analisavam os efeitos da radiação não ionizante em ratos. Para esse efeito foram estabelecidos grupos de controlo, com machos expostos a radiação CDMA ou GSM e fêmeas expostas à radiação GSM. Ou seja 2G em vez do 4G moderno. Os investigadores utilizaram o seguinte protocolo para testar os animais:

  • Os ratos foram expostos a sinais GSM ou CDMA com exposições de corpo inteiro de zero a 15 W/ kg.
  • A exposição foi iniciada no útero.
  • Todas as exposições foram aplicadas 7 dias por semana, durante cerca de 9 horas por dia.

Passados dois anos, o estudo descobriu que vários ratos exibiam tumores. No entanto, esses resultados estão relacionados com uma exposição total do corpo ao invés de exposição parcial do corpo como acontece nos seres humanos.

No entanto, é importante lembrar que alguns ratos que tiveram tumores foram expostos a duas a quatro vezes o limite permitido (1.6W/kg) de RF EMR. Na prática nunca seremos expostos à quantidade de RF EMR usada neste estudo. Com os ratos, foram utilizados níveis muito altos de energia. Até 10W / kg para estudos de 2 anos e 15W / kg para estudos de curto prazo.

Muitas fundações como a American Cancer Society falam deste tudo, mas o National Cancer Institute e a FCC afirmam que os dispositivos móveis são seguros mesmo depois de considerarem os resultados do estudo.

O Estudo do Instituto Ramazzini

Outro estudo muito popular pertence ao Instituto Ramazzini em que foram utilizados níveis de radiação até 60 vezes mais baixos do que no estudo anterior e na mesma linha do que os humanos podem experimentar. Houve várias críticas a este estudo. Apesar do número total de ratos no estudo ser grande, o número em cada grupo experimental ainda era pequeno.

O único achado estatisticamente significativo foi um aumento na incidência de sintomas cardíacos (principalmente tumores benignos no coração) observados em ratos machos que receberam a dose mais alta (50V/m) de radiação.

A incidência de cancro nos humanos

Vamos olhar rapidamente para as estatísticas históricas das taxas de incidência de cancro. A cobertura das redes móveis e o número de bandas dedicadas à sua utilização têm vindo a expandir-se rapidamente na última década. Pois o pressuposto que vamos utilizar é este. Se a radiação é perigosa, as taxas de cancro devem estar a aumentar.

Os dados da SEER Cancer Incidence para a população dos EUA estão não apoiam esta informação. Se colocarmos lado-a-lado o aumento dos dispositivos móveis nos EUA observamos que as taxas de cancro já estavam a aumentar muito antes disso. Para além disso, há outra conclusão interessante. As taxas de incidência de cancro diminuiram à medida que a utilização dos smartphones aumentou. Já as taxas de cancro cerebral permanecem inalteradas da mesma forma nas últimas quatro décadas.

Fontes: SEER.Cancer.Gov , Worldbank

A taxa de incidência de cancro subiu apenas 1,14% desde o lançamento da primeira rede de telemóveis para o público em 1983. As taxas caíram 9,56% comparativamente à altura em que as redes GSM e CDMA foram lançadas. No entanto, isto é apenas uma curiosidade. Claro que não significa que o aumento das redes móveis faz com que o cancro diminua.

E o 5G e o mmWave?

Não há evidências convincentes que liguem o cancro aos dispositivos móveis. Mas e o 5G? Será que é agora? Não parece. A maioria destas frequências ocupa bandas de baixa frequência e de Wi-Fi, portanto, não há novos riscos. Ao mesmo tempo, as tecnologias mmWave ainda não estão nem perto dos comprimentos de onda de ionização nocivos para o organismo.

O MmWave será implementado principalmente no espectro de 24 a 29GHz, que sofre com taxas de reflexão muito altas. Portanto, a absorção de energia está confinada às camadas superficiais da pele, em vez dos tecidos mais profundos tocado por frequências mais baixas. Ossos ou o crânio estão livres de perigo. Assim, deixe de se preocupar com os tumores cerebrais.

Nos Estados Unidos, os regulamentos de segurança da FCC aplicam-se até 100 GHz. Portanto, os dispositivos 5G da mmWave estão sujeitos aos mesmos padrões de segurança e limites de energia dos produtos 4G LTE, Bluetooth e Wi-Fi existentes.

A tecnologia parece ser segura e as regulamentações atuais da FCC e das agências Europeias já têm essas frequências cobertas. Ainda assim, 180 cientistas de todo o mundo assinaram uma petição em setembro de 2017 solicitando um atraso na implantação da rede 5G na União Europeia até que os efeitos na saúde tenham sido estudados com mais detalhes. Nesse sentido, seria importante mais estudos acerca do 5G.

Posso ficar estéril por causa do meu smartphone?

Se as redes móveis não estão a causa cancro, será que são responsáveis por outros problemas de saúde? A infertilidade é provavelmente a segunda maior história atribuída aos dispositivos móveis e alguns estudos confirmam isso.

Mas sabe realmente o que reduz a contagem de espermatozóides? O calor!

Em vários estudos, quando uma baixa contagem de espermatozoides estava ligada aos dispositivos móveis, tudo se devia ao calor gerado pelo telefone. É muito difícil testar-se o efeito da radiação porque o aumento de calor é um fator de confusão, especialmente quando está diretamente ligado a contagens mais baixas de espermatozóides.

No entanto as contagens de espermatozóides baixas não são permanentes. Ainda assim se quer ter filhos a curto prazo, veja onde coloca o smartphone ou utilize roupa interior menos apertada. Porque é tão simples como isso.

O veredicto

Os trabalhos de investigação que normalmente são citados acerca deste assunto apresentam grandes falhas. A verdade é só esta. Não há estudo nenhum de alta qualidade a longo prazo que tenha encontrado uma ligação entre a utilização de dispositivos móveis e o cancro, incluindo os do Conselho de Pesquisa Estratégica da Dinamarca, do Conselho Nacional de Ciências de Taiwan e do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão, entre outros.

Até os níveis de radiação RF, gerados a partir das densas redes LTE da atualidade, estão bem abaixo dos limites seguros regulamentados e cientificamente testados. Para além disso, todos os smartphones estão bem abaixo desses limites. Para além disso passam por rigorosos testes antes de poderem ser lançados no mercado. Além disso, os próximos comprimentos de onda 5G e mmWave já estão sujeitos aos mesmos níveis de proteção.

Tudo poderá mudar no futuro com novas investigações, mas para já, a conclusão é só uma. Não há relação entre os dispositivos móveis e qualquer tipo de cancro.

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