Provavelmente já não te lembras, mas os smartphones foram uma completa loucura! Todos os anos existiam novidades, designs fora da caixa, performance de fazer água na boca! Agora? Muito menos disso. Tudo sabe ao mesmo e parece igual, os ganhos de performance existem, mas já não se notam, e até existem exemplos de modelos que perdem funcionalidades de um ano para o outro enquanto ficam mais caros.
É até um bocadinho triste.
Os smartphones eram mais interessantes nos anos 2010? Sim. Eram.
Portanto, há alguns anos, cada lançamento parecia trazer qualquer coisa nova. Um ecrã melhor, uma câmara melhor, mais bateria, um design mais ousado, uma ideia diferente, um formato estranho, uma funcionalidade inesperada. Havia risco e havia identidade. Dava gosto de ver!
Hoje? Hoje tens quase sempre o mesmo retângulo de vidro e metal, com mais um bocadinho de brilho, mais uns megapixéis, mais uma promessa de IA, e pouco mais.
Na altura, o mercado estava vivo!
Existiam mais marcas importantes, como era o caso da HTC, LG, Sony e Huawei, etc… Também existia uma Samsung sem medo de arriscar, e até a Apple conseguia mexer a sério no seu produto. Bem como uma Xiaomi pronta a rebentar com preços incríveis.
Hoje em dia? O mercado só dá atenção à Samsung, Xiaomi e Apple. Por vezes também dá alguns relances à Google com os Pixel. Mas fica por aqui.
A Motorola e a Sony ainda existem, mas enquanto a primeira anda a apostar num regresso com força, a segunda ainda lança coisas… Mas nem se nota que ainda existe.
Em suma, havia variedade e surpresas. E havia aquela sensação de que o próximo telemóvel podia mesmo ser diferente.
Hoje, quase toda a gente está a vender a mesma coisa
Agora a conversa é outra. O mercado amadureceu, sim. Mas também ficou muito mais previsível.
A grande maioria das fabricantes usa os mesmos componentes. Qualquer telemóvel de topo tem 12 GB ou 16 GB de memória RAM, um ecrã OLED de 6.7 polegadas, o mesmo Snapdragon da praxe, e na realidade, uma suíte de software que pouco ou nada muda.
Ou seja, comprar um telemóvel novo ainda é gratificante, claro. Mas raramente muda a tua vida. Raramente te faz sentir que estás mesmo a entrar numa nova geração de produto. É exatamente por isso que o consumidor fica com o mesmo aparelho durante 3 ou 4 anos. Por vezes até mais.
Hoje vende-se mais IA do que entusiasmo?
Também convém dizer isto. Como o hardware já não impressiona tanto, as marcas passaram a vender outra coisa. Inteligência artificial. Wallpapers com IA. Edição com IA. Resumos com IA. No fundo, tudo com IA.
O problema é que isto raramente substitui o entusiasmo que existia antes à volta do hardware.
Isto é algo que também vai acontecer com as consolas na próxima geração. Como o hardware está caro, as fabricantes vão apostar em IA para tentar o mesmo resultado sem gastar tanto dinheiro.
No fim do dia, os smartphones ficaram melhores. Só ficaram menos interessantes
Essa é a conclusão mais honesta. Os smartphones atuais são mais rápidos, mais bonitos, mais eficientes e mais competentes do que alguma vez foram. Mas também são mais aborrecidos.
Os anos 2010 foram especiais porque pareciam um laboratório a céu aberto. Toda a gente tentava qualquer coisa. Algumas ideias falhavam, outras pegavam, mas havia sempre a sensação de movimento. Tenho saudades.







