Impostos em Portugal continuam a penalizar híbridos. Mesmo quando estes consomem e poluem menos que outros veículos.
Não é novidade que em Portugal muita coisa é feita ao contrário daquilo que deveria ser o normal. A fiscalidade automóvel é um exemplo perfeito disto mesmo. Afinal de contas, durante muito tempo, falar de cilindrada foi falar de poluição.
A lógica sempre foi muito simples! Motores maiores significavam mais consumo, mais emissões e, claro, mais impostos. O problema é que o mundo mudou… mas o nosso sistema não. Infelizmente, o ISV continua a não fazer sentido e, mais grave que isso, está a castigar a revolução híbrida em Portugal. No fundo, nem é apenas e só a revolução híbrida. Os portugueses são obrigados a optar por carros usados ou importados, com vários anos em cima, porque pura e simplesmente não conseguem comprar aquilo que gostariam, devido aos preços inflacionados só porque sim.
De forma mais concreta e resumida, o nosso sistema não muda a sério desde 1987 e, como tal, todos os novos veículos andam a ser castigados. Por isso mesmo, ficam demasiado caros para os portugueses darem o salto para um carro mais eficiente, menos poluente e, claro, muito mais seguro.
Isto porque, em 2026, esquecendo a eletrificação pura, porque nem todos podem ter um veículo 100% elétrico em casa, hoje temos motores muito mais eficientes com eletrificação que entrega automóveis capazes de poluir menos face às versões a combustão pura. Ainda assim, em Portugal, continuam a pagar mais.
O problema está no ISV! (e não só!)

Existe uma linha clara vinda da Comissão Europeia.
Menos emissões deveriam significar melhores condições na compra e manutenção de um veículo. Afinal de contas, há incentivos para eletrificação e cada vez mais pressão para abandonar soluções mais poluentes. Mas, em Portugal, o Imposto Sobre Veículos (ISV) continua preso a uma lógica antiga, onde a cilindrada ainda pesa demasiado na equação.
O problema aqui é que mais cilindrada, nos tempos que correm, pode ajudar a que um motor seja menos poluente face ao passado. Já existem várias marcas a apostar neste tipo de motorização, como é o caso da Toyota e da Renault, que andam a apresentar soluções extremamente inteligentes, capazes de levar o mundo automóvel a um nível diferenciado.
Porém, acabam por ter muito pouco sucesso no mercado, porque os impostos “matam” o apelo comercial. Ou seja, híbridos mais modernos e eficientes acabam por pagar mais imposto do que versões a combustão que poluem mais, por vezes até muito mais.
Já temos vários exemplos no mercado português
Temos o muito recente Renault Clio de nova geração equipado com um motor 1.8L híbrido, bem como o renovado Dacia Duster e Bigster com a solução Bi-Fuel híbrida 1.8L. Além destes, temos ainda o Toyota Aygo X que tivemos a oportunidade de testar há algumas semanas equipado com uma motorização 1.5 híbrida.
Todos eles apresentam números extremamente interessantes, mas depois chegam ao mercado demasiado caros, perdendo competitividade face a outra alternativas mais baratas, apesar de menos refinadas.
Por exemplo, o atual Duster 1.2 GPL paga 670€ + IVA, isto enquanto o novo Duster Hybrid já vai para os 3845€ + IVA. Ou seja, o híbrido polui menos. Mas paga mais. É uma história que se repete em várias marcas, e em vários modelos. Aliás, mesmo na passagem do 1.0 para o 1.2 no Duster GPL significou mais 400€ em imposto puro.
Curiosamente, isto não acontece apenas e só no ISV, estes automóveis também são penalizados no IUC.
Menos emissões, mais imposto. Faz sentido? Não. Mas nada muda. Os governos mexem, mudam, mas fica tudo igual. Enquanto tudo isto acontece, os portugueses andam com carros velhos, desatualizados e extremamente poluentes.
Temos ainda de salientar que, como os híbridos são mais penalizados em Portugal do que noutros mercados, há fabricantes que simplesmente optam por não apostar tanto no nosso país. Ou seja, além de pagar mais, o consumidor português também tem menos escolha.
Portugal continua desalinhado e atrasado.
Esta realidade não passa despercebida às marcas. Muitas delas estão agora a “acordar” para o novo normal. Por isso, vamos começar a ver mais protestos e, esperamos nós, alguma mudança nos impostos em Portugal dentro de muito em breve.
Aliás, se a última grande mudança foi em 1987, pode ser que 2027 seja o ano em que tudo muda muito a sério, para melhor. Mas, apesar de parecer lógico que menos impostos, especialmente estes sem sentido, estimulam o mercado e até podem gerar mais receitas a longo prazo, sabemos bem como a coisa funciona por cá. Se o Estado tira de um lado, vai compensar noutro.










