Eu gosto de ver as empresas a esticar a corda, para depois a ver partir. Mas, aqui é preciso perceber se a Apple esticou a corda ou se o Duo roubou o espetáculo.
As coisas estão caras, e a culpa é da IA. É verdade e está tudo certo. Mas, se achas que não existe também uma boa dose de ganância e oportunismo nos preços que estamos a ver nas prateleiras, és uma pessoa muito ingénua. Especialmente no lado da Apple, onde as margens são sempre muitíssimo saudáveis.
Pois bem, depois de anunciar iPhones 18 Pro e 18 Pro Max basicamente iguais ao ano passado, as pré-vendas não parecem estar a correr bem. O que levanta uma questão… Serão as pessoas a “votar” com a carteira?
Oops? Apple com pré-vendas aquém do esperado.

Estamos tão acostumados ao guião habitual da Apple que já ninguém estranha o ritual. Ou seja, abrem as pré-vendas às sextas-feiras e, em menos de três minutos, os prazos de entrega derrapam semanas ou meses. De facto, quem não tem o dedo rápido no botão de comprar fica a ver navios até novembro. Só que este ano a música é completamente diferente.
Os dados dos primeiros dias de reservas do iPhone 18 Pro e Pro Max revelam um arranque estranhamente morno, com os prazos de envio a aguentarem-se firmes durante muito mais tempo do que aquilo a que a gigante de Cupertino nos habituou.
Aliás, segundo os dados avançados pelo AppleInsider no mercado norte-americano, meia hora após a abertura oficial das reservas, praticamente todas as configurações continuavam disponíveis para entrega imediata no primeiro dia de lançamento. Eventualmente lá começaram a esgotar versões específicas, como o iPhone 18 Pro Max de 256GB na nova cor burgundy (bordeaux), mas as versões mais caras de 1TB e 2TB continuavam com stock para dar e vender.
O cansaço da fórmula? Ou existe algo mais importante?

O que é que se está realmente a passar? Porque é que os fãs mais fervorosos da maçã não correram em massa a esvaziar os armazéns logo no primeiro minuto? A resposta divide-se em três razões muito simples que qualquer pessoa ao balcão de um bar percebe num minuto:
- Aumentos de preço descarados: A Apple meteu mais 100 dólares em cima de toda a gama nos Estados Unidos, que se transformou em 150€ em Portugal. Subir a fasquia financeira quando o custo de vida geral já está pelas horas da morte faz qualquer consumidor pensar duas vezes.
- A sombra colossal do iPhone Duo: A apresentação dos 18 Pro foi completamente engolida pelo anúncio do primeiro dobrável da marca. Quem tem dinheiro a sério para estoirar num topo de gama prefere guardar a folga orçamental para outubro e tentar meter a mão no Duo. (O que por sua vez também apresenta outros problemas).
- A promessa do 20.º aniversário: Já andam nos bastidores conversas insistentes de que a Apple está a guardar a verdadeira revolução de design e tecnologias de topo para a edição comemorativa dos vinte anos do iPhone no próximo ano. Quem tem um iPhone 15 Pro ou 16 Pro não vê motivos absolutamente nenhuns para saltar agora.
O sonho já não comanda a vida?
Não nos enganemos! O iPhone 18 Pro continua a ser uma máquina brutal, com melhorias no chip e sensores fotográficos afinados. Mas, não é bom o suficiente para justificar preços mais altos, e o consumidor já não está para isso.
Dito tudo isto, se a própria legião de fiéis da Apple começa a hesitar nas encomendas, é sinal de que os departamentos de marketing atingiram finalmente o teto da elasticidade da carteira dos consumidores. Vai ser muito curioso ver o relatório de contas trimestral para perceber se isto foi apenas um soluço passageiro ou o início de uma ressaca prolongada.








