Se o OLED é o sonho de qualquer jogador… Então porque é que os profissionais continuam a fugir dele?
Já aconteceu ter uma “discussão” com um amigo meu, quando afirmei que o OLED era o futuro (ou o presente), e que os formatos Wide e Ultra-Wide faziam algum sentido para o consumidor comum porque revelam mais e depois ainda oferecem uma área de trabalho superior para o dia-a-dia.
E ele rapidamente atirou… Os “pro” não usam nada disso por alguma razão.
No fundo, ambos tínhamos razão. O OLED é um salto incrível para os jogadores, e os formatos wide fazem de facto muito sentido nos jogos modernos. Mas, também é verdade que os profissionais continuam “presos” a hardware mais antigo. A realidade é que quase ninguém usa OLED nos torneios de League of Legends, Counter-Strike 2, Valorant ou Apex Legends.
Ou seja, em vez de ecrãs curvos ultramodernos e cheios de cores vivas, os melhores atletas do mundo continuam agarrados a monitores que, para o utilizador comum, parecem saídos de 2015. São pequenos, com resolução 1080p e painéis TN com cores completamente deslavadas.
Mas… Existe um método para a loucura.
1. O tamanho ideal: Isto porque no competitivo, ver menos é ver mais!

Quem compra um monitor para consumo multimédia quer quase sempre ecrãs de 32, 34 polegadas ou até formatos ultrawide para maior imersão. Mas, no desporto profissional, isso é a receita perfeita para perder jogos.
A esmagadora maioria dos profissionais joga em ecrãs entre as 24 e as 24,5 polegadas (no limite 27 polegadas). O motivo é simples de perceber. Num ecrã de 24 polegadas à distância certa, todo o mapa, a mira, a contagem de balas e a barra de vida cabem dentro do campo de visão central do olho humano.
Ou seja, se tiveres um ecrã muito grande, és obrigado a mexer os olhos ou até a cabeça para ver quem aparece no canto do radar. E num jogo onde uma fração de segundo dita quem ganha a ronda, esse movimento ocular custa a vida ao jogador.
2. Resolução 1080p: Fluidez pura acima do grafismo

Ninguém no circuito profissional quer saber de texturas em 4K ou reflexos bonitos com traçado de raios (Ray Tracing). As definições gráficas são quase sempre reduzidas para o mínimo absoluto para garantir duas coisas: latência de entrada no chão e estabilidade de fotogramas por segundo (fps).
Para empurrar taxas de atualização de 360Hz, 500Hz ou 540Hz sem quebras, a resolução padrão continua a ser os 1080p (Full HD). Tentar manter 500 fps estáveis em 1440p ou 4K, mesmo com placas gráficas de topo, é pedir engasgos em momentos críticos de confrontos de equipa com granadas de fumo e explosões no ecrã.
3. O império da Zowie e a fidelidade aos torneios
Há outro fator que manda mais do que qualquer especificação técnica de laboratório: a padronização dos palcos de torneio.
Se uma organização treina numa gaming house durante meses a fio com um monitor xpto em casa, mas chega ao palco principal de um campeonato do mundo e a organização do evento coloca monitores de outra marca, o jogador perde a referência visual a que estava habituado.
Os dados do mercado profissional mostram bem este domínio:
- A hegemonia dos painéis TN: Segundo estatísticas recentes do circuito competitivo, mais de 90% dos profissionais de Counter-Strike 2 e cerca de 70% dos jogadores de Valorant utilizam monitores Zowie (como os conhecidos XL2566K ou XL2586X).
- Clareza em movimento com DyAc: Estes monitores recorrem a painéis TN que, embora tenham ângulos de visão e cores medíocres para ver filmes, utilizam tecnologias de retroiluminação pulsada (como o DyAc+) que eliminam por completo o arrastamento da mira quando fazes viragens bruscas de 180 graus.
- Zero surpresas no palco: As equipas compram dezenas destes monitores para os seus centros de estágio porque sabem que é exatamente esse o equipamento que vai estar montado nas secretárias dos grandes eventos internacionais.
O OLED vai chegar ao topo, mas precisa de tempo

Isto significa que os monitores OLED são maus para jogar? Claro que não. Para 99% dos utilizadores, incluindo quem joga partidas competitivas nas horas vagas mas também gosta de ver vídeos, editar fotografias e jogar títulos de história… Um monitor OLED moderno de 240Hz ou 360Hz oferece uma experiência incomparavelmente superior em todos os aspetos visuais.
Mas para quem compete por prémios de milhões de euros, o conforto visual não entra na equação. O que interessa é a ferramenta de trabalho mais previsível, mais rápida a responder e que esteja presente em qualquer arena do mundo.
No fim do dia é uma questão de tempo. Até porque o OLED está cada vez mais acessível.








