Com o eclipse de 12 de agosto a aproximar-se, toda a gente anda à procura de óculos para o ver em segurança. E é precisamente aí que mora o perigo: sempre que há uma corrida a um produto, aparecem as falsificações. No caso dos óculos de eclipse falsos, não é só um desperdício de dinheiro pode custar-te a visão de forma permanente e irreversível.
Óculos de eclipse falsos: é preciso muito cuidado
Pode parecer exagero, mas não é. Mesmo com o Sol 94% ou 98% tapado, como vai acontecer em quase todo o país, a luz que ele emite continua a ser intensa o suficiente para queimar a retina. E há um agravante: como o ambiente fica mais escuro, as tuas pupilas dilatam para captar mais luz, expondo ainda mais retina ao Sol. Óculos de sol normais, por muito escuros que sejam, não te protegem disto. Como Portugal continental vê um eclipse parcial em quase todo o lado (só uma faixa minúscula de Bragança atinge a totalidade), precisas do filtro adequado durante todo o tempo.

A marca que tens de procurar
Uns óculos de eclipse a sério cumprem a norma ISO 12312-2:2015 e têm a marcação CE, ambas impressas na própria armação. Um filtro certificado bloqueia praticamente 100% dos raios ultravioleta e infravermelhos e deixa passar apenas cerca de 0,001% da luz visível. É esse o nível de proteção que a tua vista exige.
O problema: a etiqueta “ISO” sozinha não chega
Aqui está o truque sujo: alguns vendedores imprimem “ISO 12312-2” e “CE” em óculos que não cumprem nada disso. Ou seja, a etiqueta por si só não é garantia. Antes de confiares neles, confirma:
- Fabricante identificável: tem de haver um nome e responsável, não uns óculos anónimos.
- Instruções e avisos de segurança impressos, de preferência em português.
- Referência clara à ISO 12312-2:2015 e marcação CE a sério.
- Compra em fontes de confiança: lojas de astronomia, planetários, distribuidores oficiais ou campanhas certificadas.
- Desconfia de preços demasiado baixos em marketplaces como Temu ou vendedores duvidosos.

O teste caseiro de 10 segundos
Há uma verificação rápida que podes fazer em casa. Põe os óculos dentro de casa, com luz normal: não deves conseguir ver rigorosamente nada, exceto talvez o filamento de uma lâmpada muito forte. Se ao usá-los ainda vês móveis, a tua mão ou a janela, então não são seguros ponto final. Aproveita também para inspecionar o filtro: se tiver riscos, furos, vincos ou qualquer dano, deita-os fora e não arrisques.
O que NUNCA serve para ver o eclipse
Risca já estas ideias da cabeça, porque todas são perigosas:
- Óculos de sol, mesmo os mais escuros.
- Radiografias, CDs ou DVDs, vidros fumados.
- Óculos 3D de cinema ou filtros caseiros improvisados.
- Máscaras de soldadura baratas (só servem as de tom 14 ou superior).
A regra de bolso é simples: se não foi feito de propósito para observação solar, não serve. A tua visão não tem devolução e o eclipse não vale um único segundo de risco.







