Oceangate não é um submarino nem está certificado!

Neste momento, cinco pessoas estão possivelmente presas num submersível privado algures no Oceano Atlântico. Já têm muito pouco ar e a Guarda Costeira dos Estados Unidos, a Marinha e as forças armadas do Canadá estão a desenvolver um esforço em grande escala para localizar e recuperar a embarcação, apelidada de Titan. Apesar da recente revelação de que o som de um “estrondo” foi detetado por potentes microfones subaquáticos perto da área onde o submersível da Oceangate desapareceu, as coisas não estão a correr bem.

Oceangate: há uma explicação para o comando de jogos!

No dia 18 de junho, o submersível de 21 pés de comprimento embarcou numa missão para pesquisar os destroços do Titanic, localizado a 12.500 pés abaixo da superfície do oceano e a cerca de 435 milhas a sul de St. John’s, na Terra Nova, com quatro passageiros e um piloto a bordo. Cerca de uma hora e 45 minutos após o início do mergulho, a comunicação entre o submersível e a sua nave-mãe, o Polar Prince, foi interrompida.

De acordo com o termo de responsabilidade assinado pelos passageiros do Titan, o submersível é uma “embarcação experimental” que não foi “aprovada ou certificada por qualquer organismo regulador”.

Quem está a bordo do submersível desaparecido?

O Titan pertence a uma empresa chamada Oceangate Expeditions, e seus passageiros incluem quatro turistas (que pagaram até 250 mil Euros cada um pelo passeio) e o proprietário da Oceangate Expeditions. Os aventureiros desaparecidos são:

  • Hamish Harding, um empresário e explorador britânico que tem sido chamado de “lenda viva da aviação”.
  • Shahzada Dawood, um empresário paquistanês.
  • Suleman Dawood, filho de Shahzada Dawood.
  • Paul-Henri Nargeolet, explorador francês de 77 anos e diretor de investigação subaquática de uma empresa que detém os direitos sobre os destroços do Titanic.
  • Stockton Rush, diretor executivo e fundador da OceanGate, Inc.

A diferença entre o submersível da Oceangate e um submarino

O Titan é um submersível. Ao contrário de um submarino, um submersível é lançado a partir de um navio maior e posteriormente içado de volta. Enquanto alguns submarinos podem permanecer debaixo de água em segurança durante meses e viajar milhares de quilómetros com a sua própria energia sem emergir, o Titan só tem energia suficiente para viagens curtas. A viagem até ao Titanic demora cerca de 8 horas – pelo que se assemelha mais a um fato de mergulho sem amarras do que a um verdadeiro submarino.

A navegação do Titan depende de um sistema de mensagens de texto em que a nave-mãe basicamente diz ao piloto do Titan como se deve orientar. Não existe GPS ou outro sistema de localização a bordo.

O que é que correu mal?

Não há forma de saber exatamente o que fez com que a nave deixasse de comunicar com o mundo exterior, nem de identificar com precisão onde se encontra agora. Mas há três cenários plausíveis:

O submarino está atualmente a flutuar no oceano

O Titan está equipado com mecanismos de lastro que lhe permitem subir à superfície mesmo que perca energia. Assim, este é, provavelmente, o melhor cenário, mas não deixa de ser sombrio. Não há forma de abrir o submersível a partir do interior. Está fechado com parafusos. Assim os ocupantes ficarão sem ar se não forem encontrados no dia seguinte. Aviões militares canadianos e americanos percorreram até agora uma vasta área do oceano mas o mar é vasto e as condições de nevoeiro tornaram as buscas ainda mais difíceis.

O Titan está intacto, mas é incapaz de regressar à superfície?

Entretanto se o mecanismo de lastro falhou, ou se o Titan ficou preso por destroços (talvez do próprio Titanic), pode ficar encalhado nas profundezas do oceano. Neste caso, mesmo que seja localizado, o salvamento da tripulação constituiria um desafio sem precedentes. Há muito poucas embarcações capazes de mergulhar tão fundo como o Titan, e trazê-lo de volta à superfície seria um enorme problema logístico.

Oceangate
Fonte

Houve uma rutura do casco ou outra falha estrutural catastrófica. Se tal acontecesse, o submersível esmagava-se imediatamen te, não deixando sobreviventes.

De acordo com David Marquet, capitão reformado de um submarino da Marinha dos EUA, a probabilidade de a tripulação sobreviver é de cerca de 1%. “É basicamente imaginar que uma nave espacial desapareceu no outro lado da lua”, disse Marquet à NPR. “A, tem de a encontrar. B, tem de lá chegar. Mesmo quando a encontra… ainda precisa de tirar as pessoas de lá para um lugar seguro”.

Será que eles pilotam mesmo o submersível com um comando de videojogo?

Apesar do preço de um quarto de milhão de Euros por uma expedição de oito dias com a Oceangate, o Titan está longe de ser uma embarcação de luxo. O interior tem o tamanho de um monovolume e os passageiros não têm espaço para se levantarem dentro da embarcação.

Entretanto as luzes são de uma loja de campismo. A sanita é uma garrafa de plástico. A nave controla-se por um comando de jogo Logitech F710 modificado. Mas utilizar um comando de jogo para controlar submarinos não é invulgar.

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Bruno Fonseca
Fundador da Leak, estreou-se no online em 1999 quando criou a CDRW.co.pt. Deu os primeiros passos no mundo da tecnologia com o Spectrum 48K e nunca mais largou os computadores. É viciado em telemóveis, tablets e gadgets.

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