O WinRAR é aquele programa que durante anos, mesmo muitos anos, era obrigatório em qualquer PC. Era super leve, poderoso, e melhor que tudo isso, era 100% grátis. Bem, mais ou menos, o WinRAR tinha um trial de 40 dias. Mas, como o trial nunca chegava ao fim, a realidade é que ninguém comprava o programa.
E estava tudo bem! O plano sempre foi esse.
O WinRAR é grátis desde 1995… Mas rendeu uma fortuna!

Portanto, o WinRAR sempre foi a piada favorita da internet: o programa “pago” que toda a gente usou de borla durante décadas sem pagar um único tostão. Só que quem riu por último não fomos nós, foi mesmo o criador do software!
Eugene Roshal (o criador original) acumulou uma fortuna colossal avaliada entre 100 e 250 milhões de dólares!
Como? Muito simples. Lançado originalmente em 1995, o WinRAR assentou num formato de compressão próprio (o famoso ficheiro .RAR) que humilhava a concorrência da época pela eficiência e rapidez. Mas a verdadeira mina de ouro não estava no programa para pessoas como tu ou eu. Estava na disseminação do formato, e nas licenças para as empresas.
O período de testes infinito que conquistou o planeta!
Nos anos 90 e 2000, a esmagadora maioria dos programas funcionava da mesma forma. Quando os 30 ou 40 dias de teste expiravam, o software bloqueava por completo ou desativava funções essenciais para te obrigar a pagar.
Eugene Roshal fez o exato oposto. O WinRAR limitava-se a apresentar um pop-up educado a pedir para comprares a licença comercial. Fechavas a janela e o programa continuava a funcionar a 100%, sem restrições, sem marcas de água e sem anúncios irritantes a tapar o ecrã. Isso criou o maior fenómeno de pirataria consentida e marketing viral gratuito da história da computação:
- Monopólio absoluto nos PCs domésticos: Miúdos, estudantes universitários, curiosos e profissionais habituaram-se todos a usar a mesma ferramenta em casa sem pagar nada. O ícone dos três livrinhos coloridos tornou-se obrigatório em qualquer computador Windows.
- A armadilha perfeita para o trabalho: Quando essa geração inteira de utilizadores entrou no mercado de trabalho e precisou de descompactar ficheiros nos escritórios, que programa é que pediu aos departamentos de informática para instalar? Exatamente: o WinRAR.
Onde entra o dinheiro a sério? É no lado empresarial.
Tu e eu podíamos carregar no botão de fechar sem qualquer peso na consciência. Mas uma multinacional com milhares de computadores ligados à rede não pode dar-se a esse luxo.
No mundo corporativo, as empresas são auditadas regularmente por entidades reguladoras de software. Se uma auditoria técnica apanhar centenas de postos de trabalho a correr software comercial fora do período de licença, as multas aplicadas são ruinosas e o escândalo de reputação pode custar milhões. É aqui que a win.rar GmbH fatura à grande:
- Licenças compradas aos milhares: Bancos, consultoras, hospitais, organismos de defesa e departamentos governamentais pagam cerca de 29 euros por máquina (ou pacotes empresariais com desconto de quantidade) para estarem 100% legais perante a lei.
- Receita passiva garantida: Multiplica esse valor por dezenas de milhares de computadores em grandes empresas pelo mundo fora e percebes logo porque é que a empresa fatura dezenas de milhões de euros ano após ano, sem precisar de gastar rios de dinheiro em publicidade nem de pagar ordenados a equipas gigantescas de vendas.
Correu tão bem, que me faz confusão não existirem mais exemplos.
Numa época em que marcas como a Adobe, a Microsoft e quase todas as empresas de software nos enfiam assinaturas mensais abusivas pela goela abaixo e cortam o acesso às ferramentas no segundo em que o pagamento falha, a história do WinRAR parece vinda de outra dimensão.
Ao confiar na boa vontade do utilizador comum e ao deixar o programa circular livremente pelas casas de toda a gente, o seu criador construiu uma dependência global que obrigou as grandes empresas mundiais a financiarem-lhe a vida de luxo. Nós achávamos que estávamos a ser muito espertos ao fechar o aviso dos 40 dias; na verdade, éramos nós que estávamos a trabalhar de borla para transformar o WinRAR num negócio multimilionário.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Alguma vez na tua vida compraste uma licença genuína do WinRAR, ou és dos que continua a carregar no botão de fechar o aviso desde os tempos do Windows 98?






