Quantas vezes já ouviste a Microsoft encher o peito nas conferências para jurar que o Windows 11 está cada vez mais rápido. Além disso, que está também mais leve e incrivelmente eficiente a gerir os recursos da tua máquina?
É daquelas conversas bonitas que… Já não convencem ninguém. Quem usa um computador no mundo real sabe que a história é um desastre autêntico.
Compras um teclado de topo, um rato de precisão ou uns auscultadores com luzes bonitas para montar o teu setup de sonho e, sem dares por isso, a máquina começa a arrastar-se como se estivesse a correr jogos pesados em segundo plano. O motivo é absurdo! Ou seja, para teres uma simples luzinha RGB a mudar de cor na secretária, os softwares das fabricantes instalam autênticos monstros de lixo digital no teu sistema!
O Windows 11 tem de ficar mais eficiente. Mas como?

Por exemplo, o pacote de software da Razer chegou a abrir 25 processos paralelos e a engolir mais de 2GB de memória RAM só para gerir iluminação!
Numa altura em que os preços dos componentes de PC continuam caríssimos e muitas máquinas de entrada ainda saem das lojas com escassos 8GB de memória. Ter programas parasitários a roubar um quarto dos recursos do computador para controlar luzes coloridas é uma vergonha que a Microsoft teima em ignorar!
A culpa divide-se em partes iguais: as marcas de periféricos que empilham código medíocre sem qualquer respeito pelo utilizador, e o sistema operativo que deixa qualquer aplicação fazer gato-sapato da gestão de processos.
O que o Gestor de Tarefas do Windows revelou foi um pesadelo:
- 2GB de memória atirados para o lixo: O conjunto do Razer Synapse e do Chroma mantinha nada menos do que 25 instâncias do processo “RazerAppEngine” ativas, consumindo cerca de 2.044MB de memória do computador de forma ininterrupta.
- O calvário da limpeza manual: Para conseguir libertar os recursos, o utilizador teve de aceder manualmente ao menu avançado de Serviços do Windows e desativar processo a processo, uma tarefa impensável para a esmagadora maioria dos consumidores que não percebem de informática profunda.
- Alternativas de código aberto instáveis: A tentativa de recorrer ao conhecido OpenRGB revelou bloqueios no arranque, enquanto alternativas como o SignalRGB exigiam registos de conta com a Google para funções básicas de iluminação.
A própria Microsoft não dá o exemplo dentro de casa.
Seria fácil atirar as pedras todas apenas para a Razer, mas a verdade é que quase todas as grandes marcas de periféricos (como a Corsair com o iCUE ou a ASUS com o infame Armoury Crate) sofrem da mesma doença crónica de bloatware pesado.
Pior ainda! A própria dona do sistema operativo não tem autoridade moral para dar lições de otimização a ninguém. Basta olhar para as aplicações nativas do Windows 11. A aplicação meteorológica oficial da Microsoft já foi apanhada a comer escandalosos 1,6GB de memória RAM em segundo plano. O que representa quase cinco vezes mais consumo do que a aplicação equivalente no macOS da Apple!
Quando a empresa que programa o sistema operativo trata o consumo de memória com este desleixo gritante nas suas próprias ferramentas… Não surpreende que os programadores externos se sintam no direito de atirar para as nossas máquinas programas pesados, mal otimizados e pejados de telemetria.
A corda parte sempre no lado do consumidor

Para quem tem uma máquina topo de gama com 32GB ou 64GB de memória rápida, perder dois gigabytes para gerir luzes no tapete do rato é irritante, mas não paralisa o computador. O drama real está nas centenas de milhares de estudantes e trabalhadores portugueses que usam portáteis modestos de 8GB ou 16GB para trabalhar ou estudar. E claro, jogar nas horas vagas.
Assim, perder 25% da memória física do sistema para processos invisíveis de fabricantes de hardware significa ter o navegador a encravar ao fim de cinco separadores. O jogo a sofrer de quebras súbitas de fotogramas. E claro, a ventoinha do portátil a chiar a toda a força sem qualquer necessidade.
Se a Microsoft quer realmente que o Windows 11 seja levado a sério no campeonato da eficiência e da fluidez, a solução não passa por meter mais botões de inteligência artificial em cada canto do ecrã. Passa sim por impor regras de certificação e consumo para as ferramentas de terceiros. Limitando os processos em segundo plano e acabando de vez com este festival de bloatware. Que por sua vez continua a roubar a performance pela qual pagámos bom dinheiro na loja.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Costumas monitorizar o impacto das aplicações dos teus periféricos no Gestor de Tarefas? Ou já te habituaste a ver o teu PC a engasgar-se com programas pesados só para manter o teclado e o rato iluminados?








