Não são apenas os combustíveis que estão a subir. Segundo vários analistas do setor, os preços dos portáteis podem disparar nos próximos meses devido ao aumento do custo de componentes essenciais como memória, armazenamento e processadores.
Aliás, alguns especialistas alertam para um cenário ainda mais preocupante. Alguns dos portáteis mais baratos podem simplesmente desaparecer das lojas.
RAM, SSD e CPU estão cada vez mais caros!
Quem acompanha o mundo do hardware já começou a notar isto há algum tempo. Os preços de vários componentes estão a subir de forma consistente. Memória RAM, SSD e até processadores estão a ficar mais caros, o que obviamente afeta as empresas que produzem portáteis. Afinal, todos estes componentes fazem parte do custo final de cada máquina.
Segundo uma análise recente da TrendForce, a situação pode piorar bastante ao longo de 2026. Muito por culpa da forte procura por memória e armazenamento por parte da indústria de inteligência artificial, que está a consumir grande parte da produção disponível.
Portáteis podem subir até 40%!
A TrendForce utilizou como referência um portátil típico de gama média com preço a rondar os 900 dólares. De acordo com os investigadores, apenas o aumento do preço da RAM e dos SSD pode fazer subir o preço final em mais de 30%.
Se juntarmos também o aumento dos processadores, o impacto pode ser ainda maior. No pior cenário, o mesmo portátil de 900 dólares poderia passar a custar quase 1.300 dólares.
Ou seja, um aumento que pode chegar aos 40%.
Dito isto, em Portugal, um portátil de 900€ aparece quase sempre acima dos 1000€. Por isso, este aumento pode significar que máquinas “interessantes” à volta dos 1000€ podem começar a aparecer mais perto dos 1500€.
Mas o problema pode ser ainda maior!
O aumento de preços não é o único desafio. No fundo, estes componentes estão mais caros porque há menos disponíveis no mercado. Assim, quando a oferta é escassa e a procura continua a crescer, o preço inevitavelmente sobe. É a velha lei do mercado.
Alguns fabricantes já começam a sentir dificuldades em garantir fornecimento suficiente de memória e armazenamento para novos modelos.
As grandes marcas estão mais protegidas
Empresas gigantes como Dell, HP ou Lenovo tendem a sofrer menos com este problema. Normalmente estas empresas têm contratos de fornecimento de longo prazo com fabricantes de todo o tipo de componentes, o que lhes garante prioridade nas encomendas.
Os fabricantes mais pequenos não têm a mesma sorte.
Para essas empresas, o problema pode ser duplo: pagar mais pelos componentes e, em alguns casos, simplesmente não conseguir comprá-los.
Por isso… Alguns portáteis baratos podem desaparecer
No pior cenário, o problema não será apenas o preço. Alguns fabricantes podem simplesmente deixar de lançar determinados modelos, especialmente os mais baratos, porque as margens deixam de fazer sentido.
Ou seja, nos próximos meses o mercado pode enfrentar duas mudanças ao mesmo tempo: portáteis mais caros e menos opções no segmento mais acessível.
Será que a Apple pode “salvar” este mercado?
Com o novo MacBook Neo que lá fora custa 599 dólares e cá apareceu a 699€, a realidade é que as fabricantes de portáteis têm agora uma outra motivação para manter os preços “controlados”.
Sim, as pequenas fabricantes vão muito provavelmente sofrer bastante com tudo isto. Mas as grandes marcas que estavam a planear aumentos mais agressivos têm agora uma grande barreira no meio do caminho.
Afinal, quando existe um portátil relativamente poderoso a começar nos 699€, fica muito mais difícil justificar máquinas muito mais caras com especificações semelhantes.
O que, no final do dia, até pode acabar por beneficiar os consumidores.









