Achas que o mundo é moderno? Sim, é. Mas, muita coisa importante para a tua vida anda “parada” no tempo. Bancos, aviões e fábricas ainda correm em disquetes, MS-DOS e Windows 95!
Acordas, olhas para o teu smartphone todo catita, entras na aplicação do teu banco com reconhecimento facial num piscar de olhos, fazes transferências instantâneas e ficas convencido de que vivemos no auge do futuro tecnológico. É tudo muito bonito, limpinho e minimalista à superfície.
Mas, se puxares a cortina deste teatro digital e espreitares para as entranhas das grandes indústrias, vais apanhar o choque da tua vida! O mundo moderno está dependente de tecnologias jurássicas com 20, 40 ou até 60 anos em cima. Ou seja, enquanto as marcas te impingem inteligência artificial e ecrãs dobráveis todos os anos, os aviões onde viajas, o dinheiro da tua conta bancária e as fábricas que fazem a tua comida continuam a rezar a todos os santinhos para que um computador pré-histórico com Windows 95 ou MS-DOS não queime a placa-mãe de vez!
Não penses que isto é exagero. Praticamente tudo o que é verdadeiramente crítico na nossa sociedade assenta numa manta de retalhos digital feita no século passado.
O teu dinheiro está seguro por código escrito nos anos 60

Comecemos pela banca mundial. A tua aplicação móvel pode ter um design de luxo acabado de atualizar na App Store, mas a transação que fazes não é processada por nenhuma nuvem milagrosa moderna. É enviada diretamente para um mainframe gigantesco da IBM, muitas vezes a correr código em COBOL ou sistemas criados nas décadas de 1960 e 1970.
Por que razão os bancos não mudam isto de uma vez por todas? Simples! Pelo pânico absoluto de deitar o castelo de cartas abaixo:
- O risco do abismo: Mudar o sistema central de um grande banco significa mexer em triliões de dólares processados ao segundo. Se um projeto de migração falha por um milissegundo, a instituição financeira vai à falência no mesmo dia.
- O drama dos veteranos: As instituições bancárias gastam verdadeiras fortunas a retirar reformados de 75 anos de casa para virem remendar código antigo, simplesmente porque já não há ninguém nas faculdades a aprender como funcionam estas linguagens arcaicas.
- Fitas magnéticas vivas: Há bancos globais que ainda usam unidades de fita magnética física para guardar cópias de segurança de transações e cheques, porque a tecnologia moderna ainda não conseguiu bater a fiabilidade a longo prazo deste suporte.
Fábricas presas ao Windows 95

Se achas que a banca é um caso isolado, espreita para o setor da manufatura pesada. Há linhas de produção que embalam comprimidos, cortam blocos de metal ou montam componentes para a indústria automóvel a trabalhar com máquinas ligadas a velhos PCs com MS-DOS, Windows 95, 98 e XP.
O motivo para isto não é incompetência nem falta de dinheiro. Uma máquina industrial de precisão custa milhões de euros e foi desenhada para durar quarenta ou cinquenta anos sem vergar. O software proprietário que a comanda foi programado para comunicar em portas de série RS232 antigas. Fazer uma atualização para um sistema operativo recente obrigaria a deitar a linha de montagem inteira para o lixo e a fechar as instalações durante meses a perder dezenas de milhares de euros por minuto. A solução das fábricas? Isolar os computadores velhos da internet para não apanharem vírus e mantê-los a funcionar enquanto houver peças de substituição compradas a peso de ouro no eBay.
Aviação e saúde: O mundo anda para a frente graças a faxes
Queres um exemplo ainda mais arrepiante? A indústria da aviação comercial.
Os sistemas centrais de reserva e bilhética de muitas companhias aéreas internacionais ainda assentam nas raízes da plataforma SABRE. Concebida originalmente pela IBM e pela American Airlines na década de 1960. E no controlo de tráfego aéreo, muitos projetos de modernização falharam redondamente ao fim de anos de desenvolvimento. Obrigando os operadores a manter consolas antigas porque são as únicas que garantem estabilidade absoluta quando há centenas de aviões no ar.
Nos hospitais da Austrália, dos Estados Unidos e de vários pontos da Europa, o aparelho de fax continua a ser rei e senhor para enviar relatórios de patologia e registos de doentes. O motivo alegado pelos médicos e juristas é simples. Ou seja, a linha telefónica dedicada garante proteção legal ponto a ponto e evita que o documento se perca no limbo de um servidor de correio eletrónico.
Se funciona, não lhe toques!
A indústria tecnológica de consumo vende-nos a mentira diária de que tudo o que tem mais de três anos é obsoleto e tem de ir para o ecoponto. Mas a economia real que segura o planeta trabalha na direção exatamente oposta. O software antigo, testado até à exaustão durante décadas a fio… Não tem os bugs aleatórios nem as atualizações forçadas que deitam abaixo os sistemas modernos.
Da próxima vez que entrares num comboio, apanhares um avião para férias ou consultares o teu saldo bancário no telemóvel, lembra-te disto. A sociedade do século XXI está a ser sustentada nas costas de disquetes, fitas magnéticas e computadores velhos que se recusam a morrer.






