Lembras-te de quando nos venderam o streaming como a salvação do entretenimento em casa? A conversa era sempre a mesma, e era de facto bonita.“Cancela o teu pacote de televisão por cabo tradicional, adere a uma ou duas plataformas e tens todo o cinema e séries do mundo por uma fração do preço, sem fidelizações e sem publicidade”.
Era um sonho, não era? Pois bem, conto de fadas acabou há muito tempo.
Em apenas quatro anos, os preços dos principais serviços de streaming dispararam quase 70%. E se achas que a coisa vai parar por aqui, prepara a carteira, porque as plataformas querem espremer os utilizadores até ao último cêntimo.
Os números não mentem e dão a volta ao estômago de qualquer um. Hoje em dia, manter as principais subscrições ativas sem levar com anúncios publicitários já custa mais de 150 euros por mês. Há quatro anos, o mesmo pacote de conteúdos rondava os 80 ou 90 euros. De facto, e na prática, criámos um monstro… Destruímos a grelha antiga da televisão por cabo para acabar a pagar ainda mais por meia dúzia de aplicações separadas.
Subir preços a ritmo três vezes superior à inflação

Se olharmos para o histórico de cada serviço, a ganância é pornográfica. A Apple TV+, por exemplo, estreou em 2019 a pedir uns simpáticos 4,99€ por mês. Hoje já subiu o valor em mais de 200%, mesmo mantendo um catálogo que cabe numa gaveta quando comparado com os rivais. A Disney+ fez rigorosamente o mesmo truque. Ou seja, entrou no mercado a 6,99€ sem anúncios e agora cobra praticamente o dobro, empurrando quem não quer pagar mais para planos manhosos cheios de intervalos comerciais.
A Netflix, que abriu este caminho todo, já subiu o seu plano de topo em mais de 125% desde as origens.
Ou seja, OO streaming não está apenas a ficar mais caro. Está a aumentar a uma velocidade que atropela a inflação geral. Enquanto o custo de vida subiu a uma média de 3,8% ao ano, os serviços de vídeo aumentaram entre 12% a 18% ao ano, metendo aumentos em cima de aumentos sem qualquer vergonha.
Mas…
A paciência do consumidor esgotou-se

A única vantagem que resta ao utilizador comum é a ausência de um contrato de fidelização de 24 meses como tínhamos nas operadoras. É exatamente por isso que cada vez mais pessoas adotaram o hábito de rodar serviços. Isto significa que subscrevem a Netflix durante um mês para devorar uma temporada. Cancelam logo a seguir! E depois saltam para a Max ou para a Prime Video no mês seguinte e vão gerindo o orçamento com pinças.
Só que ter de andar a fazer ginástica mental no calendário só para ver um par de episódios ao fim de semana não é o futuro prometido da tecnologia, é apenas uma chatice. O mercado esticou a corda ao limite, e depois as grandes produtoras ainda vêm para a televisão fingir choque e espanto quando os números do Stremio, das listas de IPTV e do download de torrents voltam a bater recordes históricos em países como Portugal.
Bem, não é por acaso. Quem tudo quer, tudo perde. Ao tentarem transformar o streaming numa fotocópia cara da televisão dos anos 90, as plataformas estão a cavar a sua própria cova.








