Sistema Volta – Se andas atento aos meus artigos aqui na Leak.pt sobre sustentabilidade, o impacto das políticas europeias no nosso bolso e as decisões que mexem com o dia-a-dia das nossas cidades, sabes perfeitamente que nem todas as boas intenções ecológicas correm bem na prática.
Dito isto, o muito badalado sistema Volta, que prometia revolucionar a reciclagem com o depósito e reembolso de embalagens, transformou-se num autêntico quebra-cabeças. E quem o diz, sem meias palavras, é o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
O autarca não poupou críticas à medida e defendeu publicamente que o sistema “vai ter de acabar” porque, além de confundir os cidadãos, está a criar graves problemas de limpeza urbana.
No fim do dia, Carlos Moedas não está de acordo com o sistema baseado à volta da moeda de 10 cêntimos.
O caos nas ruas e os milhões que voam para o Estado (e não só)

Como deves saber, o sistema Volta taxa cada garrafa ou lata em dez cêntimos no momento da compra, valor que só é devolvido se o consumidor levar a embalagem de volta a um supermercado. À partida até podia parecer uma excelente ideia, mas está a funcionar muito mal.
De facto, de acordo com Moedas, a grande maioria das pessoas simplesmente não se desloca às superfícies comerciais para reaver as moedas. Desiste logo à partida, porque ter de arrumar embalagens vazias, de forma perfeita, para depois ter de ir de carro a um supermercado é um absurdo em 2026.
E onde é que vai parar esse dinheiro? Vai direto para os cofres públicos. Assim, nas contas do autarca lisboeta, este mecanismo transformou-se num “imposto encapuzado” que já rendeu ao Estado qualquer coisa como 46 ou 47 milhões de euros à custa do esquecimento ou da falta de paciência dos consumidores.
Mas o problema não fica pelos milhões retidos. Carlos Moedas revelou que a situação está a deixar as cidades num estado caótico de limpeza.
Em conversas com o homólogo de Dublin, na Irlanda, foi-lhe transmitido que já foram gastos mais de 500 mil euros extra em limpezas, tudo porque há quem passe o dia a revirar os caixotes do lixo à procura de latas e garrafas para conseguir o reembolso. Deixando os detritos completamente espalhados pelas calçadas. Lisboa, como seria de esperar, começa a sofrer do mesmo mal.
Uma confusão que exige a intervenção do Governo

Segundo o líder da autarquia da capital, a medida da Comissão Europeia acabou por criar um curto-circuito na cabeça das pessoas. A população já não percebe se o objetivo principal é colocar o plástico no ecoponto amarelo tradicional ou andar a passear sacos cheios de lixo a caminho do supermercado. É o tipo de ruído que desincentiva a reciclagem séria e planeada.
Face ao cenário, Carlos Moedas confirmou que já alertou o Governo português para esta realidade e exige que o executivo fale diretamente com Bruxelas para travar o projeto. Para ele, a medida está condenada ao fracasso e insistir nela é apenas teimosia política.
Mas, será possível acabar com o Volta? Não seria uma derrota política demasiado grande?







