Estará a União Europeia a transformar-se naquilo que deveria combater?
Se andas atento aos meus artigos aqui na Leak sobre tecnologia, o mercado automóvel e as jogadas de bastidores da política europeia, sabes perfeitamente que há muito a criticar. Ao longo dos últimos anos, Bruxelas tem-se vendido ao mundo como o farol da liberdade, dos direitos individuais e da privacidade. Adorando apontar o dedo a países como a Rússia ou a China. Mas não nos vamos fazer de anjinhos… A realidade nua e crua das últimas semanas mostra que a União Europeia pode estar a preparar o maior ataque de sempre às nossas liberdades, mesmo debaixo do nariz do Zé Povinho.
Muitos utilizadores andam completamente a leste do que se está a passar nos corredores do poder, mas a verdade é que cheira a desespero por parte dos burocratas. E escusas de fechar os olhos, porque as desculpas do costume já não colam.
Câmaras obrigatórias nos carros e o pânico do Chat Control?

A primeira grande rasteira que está a deixar a comunidade em polvorosa é a nova diretiva para o setor automóvel. Bruxelas aprovou a obrigatoriedade de sistemas avançados que, na prática, colocam sensores e câmaras dentro do habitáculo virados para a cara do condutor.
A desculpa oficial é a segurança rodoviária. Ou seja, detetar a sonolência e a fadiga. Além disso, as marcas garantem que os dados não saem do veículo, mas no fundo, isto não é grande novidade… Nos EUA, dados semelhantes já foram parar às mãos de seguradoras para encarecer apólices. A ideia de ter um olho digital a vigiar cada movimento teu enquanto conduzes, quer queiras quer não, deixa qualquer um de pé atrás.
De facto, para garantir que o controlo é total, a UE avançou também com a primeira fase do polémico Chat Control. A narrativa oficial é a mais melodramática de sempre: “proteger as criancinhas”.
Mas o que isto faz, na realidade, é abrir a porta para que as plataformas (como o Gmail, o Discord ou o Instagram) passem uma ceifeira na encriptação e analisem automaticamente as tuas mensagens privadas. O mais bizarro? O projeto prevê deixar os políticos na lista de exceções. Ou seja, regras severas para o cidadão comum, mas total imunidade para quem faz as leis e tem poder a sério.
Quem não deve não teme, certo? A hipocrisia é total.
Asfixia na Inteligência Artificial e a ilusão da segurança

Dito tudo isto, o pânico regulatório da Europa não se fica pelas mensagens. Com o novo AI Act, a União Europeia tornou-se a primeira jurisdição a espetar uma muralha de burocracia e regras em cima da Inteligência Artificial.
Ou seja, enquanto os Estados Unidos e a China dão um baile total e avançam a toda a velocidade no investimento tecnológico, a Europa prefere focar-se em criar entraves. Para ajudar à festa, até debates internos como o da Alemanha (onde se discute acabar com a mamata de faltar três dias ao trabalho por doença sem apresentar papel do médico), começam a ecoar a nível europeu, alimentando a ideia de que os direitos dos cidadãos estão sempre sob ataque.
Mas, o verdadeiro perigo não é apenas a tecnologia em si, mas sim o facto de o povinho aceitar tudo sem reclamar, anestesiado pela ilusão de uma segurança perfeita. Uma vez aberta a porta do controlo social e criadas as infraestruturas de vigilância em massa, a história ensina-nos que elas nunca mais se fecham.
E agora?







