Ainda sou do tempo, em que toda a gente queria uma TV Plasma em casa. Era o “next level”. Curioso, porque nesta altura, comprar uma televisão nova significava escolher entre duas tecnologias. LCD ou Plasma. Curioso porquê? Porque uma era vista como a melhor, mas a outra é que ficou no mercado até hoje.
Isto aconteceu sobretudo entre o início e o final dos anos 2000, numa altura em que as televisões de tubo (CRT) começavam finalmente a desaparecer das salas de estar dos portugueses. Na época, as TVs Plasma eram muitas vezes vistas como a melhor escolha, especialmente para quem queria uma televisão grande com qualidade de imagem impressionante. Então porque desapareceram?
Como funcionavam as TVs Plasma
As televisões Plasma utilizavam pequenas células de gás que produziam luz quando recebiam corrente elétrica. Cada pixel era formado por três células com fósforo nas cores vermelho, verde e azul. Quando ativadas, estas células emitiam luz que formava a imagem final no ecrã.
Este sistema tinha uma grande vantagem. Isto porque cada pixel emitia a sua própria luz, o que significava que não era necessário um sistema de retroiluminação, ao contrário das televisões LCD. No fundo, era algo muito parecido ao atual OLED.
O resultado era uma imagem muito vibrante, com bons contrastes e cores intensas. Em ambientes com pouca luz, as TVs Plasma eram especialmente impressionantes.
Porque ficaram tão populares
Na altura em que surgiram, as TVs Plasma representavam um enorme salto tecnológico em relação às televisões CRT ou de projeção. Eram muito mais finas, tinham ecrãs maiores e ofereciam ângulos de visualização muito superiores. Ou seja, a imagem mantinha qualidade mesmo quando vista de lado.
Outro ponto forte era a fluidez da imagem. Algumas TVs Plasma anunciavam taxas de atualização de até 600Hz, algo impressionante até hoje.
Para salas grandes ou sistemas de cinema em casa, eram uma escolha muito popular.
Mas tinham alguns problemas sérios
Apesar da excelente qualidade de imagem, as TVs Plasma tinham vários pontos negativos.
Primeiro, consumiam muita energia. Comparadas com outras tecnologias, eram bastante mais exigentes no consumo elétrico.
Depois existia o problema do calor. Estes painéis geravam bastante calor durante o funcionamento e muitos problemas técnicos estavam relacionados precisamente com sobreaquecimento.
Além disso, eram normalmente mais pesadas e mais caras de produzir.
O golpe final veio com o LCD LED e o OLED
O verdadeiro problema para as TVs Plasma surgiu quando a tecnologia LCD começou a evoluir rapidamente.
Primeiro apareceu a retroiluminação LED, que tornou os painéis LCD mais brilhantes, mais finos e muito mais eficientes.
Depois chegou o OLED, que também utiliza pixels auto-iluminados e consegue oferecer contrastes ainda melhores do que o Plasma.
Ao mesmo tempo, o mercado começou a exigir resoluções mais altas, como 4K. Produzir painéis Plasma com essa resolução seria extremamente caro quando comparado com LCD ou OLED.
Com tecnologias mais baratas, mais eficientes e mais fáceis de produzir, a indústria acabou por abandonar o Plasma.
Hoje o legado continua… no OLED
Curiosamente, muitas das características que tornaram as TVs Plasma tão populares continuam a existir nas televisões modernas. O OLED, por exemplo, também utiliza pixels auto-iluminados e oferece contrastes muito profundos, algo que os fãs de Plasma sempre adoraram.
Ou seja, a tecnologia desapareceu, mas a filosofia continua viva.
No fundo, o Plasma foi apenas uma etapa importante na evolução das televisões que temos hoje.






