A indústria mobile vive obcecada com a “the next big thing”, que neste caso é o iPhone Duo, já anunciado mas ainda não lançado. De facto, as marcas gastaram anos a fio e milhões de euros em investigação e desenvolvimento a criar dobradiças em aço, engrenagens e ecrãs flexíveis que custam os olhos da cara na hora de reparar.
Tudo para quê? Para conseguir entregar aos utilizadores aquilo que todos nós realmente queríamos desde o início: um ecrã largo no formato de um passaporte para ler, trabalhar e ver vídeos sem barras pretas gigantes.
Porém, enquanto em Cupertino e na Coreia do Sul se queimavam pestanas a inventar dobradiças complexas, a Huawei olhou para o mercado chinês e fez a jogada mais óbvia do mundo. Lançou o Huawei Pura X View, um smartphone comum, sem peças móveis, sem dobradiças frágeis, mas com a exata proporção larga que toda a gente procura nos dobráveis modernos.
O resultado comercial? Em apenas cinco dias de vendas na China, o aparelho despachou mais de 280 mil unidades, deixando as vendas combinadas dos dobráveis mais caros do mercado a comer poeira!
Uma loucura.
O segredo da proporção 5:3?

As fabricantes habituaram-nos a olhar para as polegadas de um ecrã como se a diagonal contasse a história toda. É uma mentira conveniente. Quando te dizem que um topo de gama tradicional tem 6,9 polegadas, o que não te dizem é que esse ecrã é um autêntico comando de televisão, esticado até ao infinito numa proporção 19.5:9 ou 20:9.
Sim, é excelente para fazer scroll infinito nas redes sociais, mas péssimo para produtividade a sério.
O que a Huawei fez com o Pura X View foi resgatar a lógica:
- Área útil sem truques: O painel tem 6,39 polegadas no papel, mas com uma proporção de 5:3. Na prática, a área total de ecrã é idêntica à de um monstro de 6,9 polegadas. A diferença brutal é que o ecrã é cerca de 10 milímetros mais largo e 20 milímetros mais curto!
- Formato de livro: Esta proporção aproxima-se do formato de um Kobo ou de um pequeno livro de bolso. Podes meter duas aplicações lado a lado sem parecer que estás a espreitar por uma frincha, os websites não se transformam numa coluna estreita de texto e os vídeos ocupam a largura do aparelho em vez de ficarem a boiar no meio de barras pretas absurdas.
- Engenharia de respeito: Mesmo sem contar com os nós de fabrico mais avançados no processador Kirin 9030S devido aos bloqueios comerciais, a Huawei conseguiu meter um sensor principal de 200 MP, uma câmara periscópica e uma bateria colossal de 7.000 mAh num corpo com apenas 6,68 mm de espessura!
Pagámos fortunas por uma dobradiça que ninguém quer?
A Samsung já tinha dado a pista quando reformulou o Galaxy Z Fold 8 para o tornar mais largo e no formato de passaporte. Os próprios dados de pré-reserva mostraram que os utilizadores correram para o modelo mais largo porque o formato finalmente fazia sentido na mão. A Apple seguiu exatamente a mesma lógica visual para o seu dobrável Duo.
Mas as pessoas não estão apaixonadas pela dobradiça em si. O mecanismo de dobra traz peso extra, vincos feios no meio do vidro, baterias mais pequenas divididas em duas metades e um medo constante de avarias mecânicas quando a garantia acabar.
O que as pessoas queriam era tão-somente a proporção larga para ler e navegar sem claustrofobia!
Quem compra um dobrável de quase dois mil euros tem esse formato largo, é verdade. Mas o Pura X View veio provar que é perfeitamente possível entregar 90% dessa experiência num formato clássico de barra, com durabilidade infinita, sem medo de poeiras a entrar na engrenagem e a uma fração substancial do preço de tabela.
Quem é que vai ter a coragem de trazer isto para o Ocidente?
Eu acredito que vamos ver muitas marcas a fazer isto. Seria loucura não o fazer. A Apple muito provavelmente não vai querer. A Samsung também não. Mas a Huawei já o fez, e aposto que a Oppo e a Honor vão seguir o mesmo caminho.
Vão existir mais smartphones com este formato nas prateleiras.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Preferias ter um smartphone largo no formato de passaporte sem dobradiças e a preço justo, ou continuas convencido de que o futuro tem de passar obrigatoriamente por ecrãs dobráveis de dois mil euros?








