A história do primeiro rato de computador é extremamente interessante. Como um bloco de madeira com um botão mudou o mundo! – Hoje em dia, estamos habituados a ratos ergonómicos, cheios de luzes RGB, sensores laser com resoluções absurdas e dezenas de botões personalizáveis.
Mas já te perguntaste como era o avô de todos estes dispositivos? Se fosses questionado numa noite de trivialidades sobre quantos botões tinha o primeiro rato de computador e de que material era feito, saberias responder?
Ora bem, tinha apenas um botão, e era inteiramente feito de madeira. Simples! Mas mudou o mundo dos computadores.
Douglas Engelbart: O visionário que inventou o futuro?
Hoje andamos todos loucos com ratos como o MX Master 4 da Logitech, um rato que até vibra para te ajudar a ser (ainda) mais produtivo. Mas, temos sempre de olhar para o passado de forma a verdadeiramente valorizar o que está a ser feito nos dias que correm.
O primeiro rato de computador foi inventado no início da década de 1960 por Douglas Engelbart, durante o seu tempo de investigação no Stanford Research Institute, na Califórnia. Engelbart era um autêntico visionário que pensava à frente do seu tempo. Afinal de contas, numa era (anos 50 e 60) em que um único computador ocupava uma sala inteira e funcionava à base de cartões perfurados, ele já idealizava uma forma de interação direta e visual com as máquinas.
Os primeiros protótipos deste dispositivo consistiam numa carcaça retangular de madeira maciça, esculpida à mão. No seu interior, em vez das luzes óticas ou das antigas bolas de borracha que muitos de nós usámos nos anos 90, existiam duas rodas de metal perpendiculares: uma para registar o movimento no eixo X (horizontal) e outra para o eixo Y (vertical). No topo do bloco de madeira, estava posicionado um único e solitário botão mecânico.
O “Indicador de Posição X-Y” que ganhou cauda de rato!
Originalmente, o dispositivo ficou conhecido com o pouco comercial nome de “Indicador de Posição X-Y para um Sistema de Visualização”. Pensado para funcionar com o sistema informático Xerox Alto. No entanto, o nome técnico durou pouco. Foi o próprio Engelbart quem cunhou o termo “mouse” (rato) entre a sua equipa, devido ao formato compacto do bloco de madeira e ao facto de o cabo de ligação sair pela parte traseira, assemelhando-se muito à cauda do reconhecido animal.
Porém, apesar da genialidade da invenção, o rato de madeira estava demasiado avançado para a época. O conceito de interface gráfica, com janelas e ícones no ecrã como temos nos dias que correm, ainda era uma miragem para o utilizador comum. O dispositivo só se tornou comercialmente viável e popular em 1984, quando a Apple lançou o lendário computador Macintosh, demonstrando ao mundo que um ponteiro no ecrã era a forma mais natural de controlar um computador.
Uma prova de que algo diferente, mesmo que sem utilidade alguma no imediato, tem sempre potencial para mudar o jogo mais à frente.





