Os combustíveis já estão caros, de facto, estão um quase absurdo para os Portugueses que estão fartos de fazer contas à vida. Mas, é mesmo muito provável que a coisa piore até ao final do ano. Se o estreito não abrir, e de facto, mesmo que abra, o impacto vai ser duro.
O preço dos combustíveis prepara-se para explodir?
Portanto, apesar do facto de o barril de petróleo já estar caro, a realidade é que quem de facto percebe do mercado, sabe que estamos a viver num mundo que não existe. Podemos até dizer que o mundo está a dormir à sombra de uma bananeira gigante.
Há semanas que andamos a ouvir promessas de que as tensões no Médio Oriente são temporárias e de que tudo se vai resolver num piscar de olhos. Só que, nos bastidores da indústria, a contagem decrescente para o maior choque petrolífero da história recente já começou.
Ou seja, por causa do bloqueio do Estreito de Ormuz (por onde passava 20% do petróleo mundial), as reservas internacionais estão a ser esvaziadas a um ritmo alucinante. E isso vai ter um impacto sério no bolso de todos nós.
Conheces o conceito do “mínimo operacional”?
Para percebermos a gravidade da situação, imagina que levas um corte de 20% no teu ordenado, mas decides continuar a fazer a mesma vidade sempre. Aliás, decides gastar as tuas poupanças porque o teu patrão jura que te vai devolver o dinheiro em breve.
É exatamente isto que a economia global está a fazer desde março.
Ou seja, o mundo tinha uma espécie de “conta poupança” com cerca de quatro meses de reservas de petróleo para aguentar o barco. O problema é que essa conta está a chegar perigosamente ao fim.
Mas, muito em breve, vamos começar a ouvir falar de termos técnicos como “mínimo operacional” e “fundo do tanque”. Assim, embora as estatísticas oficiais digam que ainda existem milhares de milhões de barris armazenados, a verdade é que a esmagadora maioria desse crude é aquilo a que se chama “recheio do sistema”. Ou seja, é o petróleo que tem de estar obrigatoriamente dentro dos oleodutos, das refinarias e dos navios tanque para que as infraestruturas consigam sequer funcionar.
O mínimo absoluto para o sistema mundial não colapsar são 6,8 mil milhões de barris, e ao ritmo atual vamos bater nessa parede já no próximo mês de setembro.
O barril a 150 dólares? Ou mais…
Estamos a atingir níveis de stock nunca antes vistos.
Mas se a situação é assim tão dramática, porque é que o preço do barril ainda não disparou por aí além nos mercados internacionais?
Ilusão política. É a resposta possível neste momento.
A administração americana passa a vida a garantir que a guerra com o Irão está quase a terminar, o que acalma os investidores de Wall Street, enquanto vários países continuam a subsidiar os combustíveis para evitar a revolta popular.
E… Se o estreito reabrisse amanhã?
Existiriam consequências na mesma.
Ou seja, mesmo que um acordo de paz fosse assinado amanhã, seriam precisos pelo menos três meses para normalizar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Quando os mercados acordarem para a realidade de que não há combustível suficiente para manter as cadeias de distribuição a funcionar, vai rebentar uma guerra de licitações. Os especialistas da indústria já apontam para um salto inevitável do petróleo para os 150 dólares por barril, ou até mais, e isso vai refletir-se de forma brutal quando fores meter combustível no teu carro (e não só).
Talvez seja boa ideia começar a poupar dinheiro.






