Quem anda atento às estradas sabe perfeitamente que o segmento C-SUV é uma autêntica selva onde ninguém dá tréguas a ninguém. De facto, estamos aqui a falar de quase 1/4 de todos os carros vendidos no nosso continente e é aí que as marcas fazem os seus maiores lucros operacionais.
Por várias razões, os SUV ganharam uma popularidade absurda, e é de facto aqui que a grande guerra se trava. Dito isto, durante muitos anos, o Hyundai Tucson conseguiu ter resultados muito interessantes, mesmo contra rivais de peso como o VW Tiguan. Estamos a falar de mais de 2 milhões de unidades vendidas, e de facto, em Portugal também não é complicado ver exemplares a circular todos os dias.
É um carro bonito, espaçoso e com alguma tecnologia. Mas, agora foi revisto, e parece ter subido de nível. Ou seja, cresceu em tamanho, ganhou uma bagageira gigantesca de quase 700 litros, meteu um ecrã central enorme de 17 polegadas, manteve milagrosamente botões físicos para a climatização e aumentou a bateria da versão híbrida plug-in para os 17,1 kWh com 81 km de autonomia pura!
Tudo coisas boas. Mas, o preço começa nos 38 mil euros, e muito rapidamente começa a escalar. Esta é a questão mais importante no meio de todo este artigo. Afinal de contas, com a invasão chinesa a ganhar cada vez mais força… Será que a nova receita tem armas para ter sucesso?
Mais robusto visto de fora e espaço a sério por dentro!

Visualmente, o novo Tucson não nega de onde veio, mas também optou por um caminho bastante diferente do normal. É inegável que foi buscar muito à nova filosofia da marca, e claro, cresceu 3,5 cm em comprimento e largura, ganhou 2 cm de altura e esticou a distância entre eixos em 4 cm (fixando-se nos 2,72 metros).

No habitáculo, as alterações foram cirúrgicas para quem tem família e precisa de versatilidade:
- Acesso muito mais fácil: As portas traseiras passam a abrir a uns generosos 83 graus (face aos 73 graus do antecessor). Para quem tem filhos pequenos e precisa de enfiar cadeirinhas no banco de trás sem partir as costas, esta diferença vale ouro no dia a dia.
- Bancos deslizantes e mala gigante: A segunda fila desliza agora numa calha de 15 cm. Se precisas de espaço para as pernas tens conforto de executivo. Se precisas de meter tralha de férias, a bagageira dispara dos anteriores 546 litros para uns impressionantes 695 litros úteis.
- Ecrã gigante mas com juízo: O tablier é dominado por um ecrã de 17 polegadas (12,9 polegadas na entrada de gama) a correr o novo sistema operativo Pleos baseado em Android Automotive. Mas ao contrário de muitas marcas que atiram tudo para os menus táteis, a Hyundai teve a decência de manter botões físicos dedicados para controlar a climatização logo por baixo do ecrã! Um detalhe de ergonomia que merece todos os elogios.
- Miminhos a bordo: Duas plataformas de carregamento sem fios de 15W com ventilação, materiais suaves nas zonas de toque e a opção de um sistema de som de topo da Bang & Olufsen com 12 altifalantes.
Adeus ao gasóleo! Já se esperava. Só motores a gasolina e eletrificação

A diversidade de motorizações foi simplificada e o velhinho motor diesel diz adeus definitivo. Assim, a base de toda a gama assenta no bloco de quatro cilindros 1.6 T-GDi, dividido em três patamares bem distintos.
A entrada faz-se com a versão térmica simples de 150 cv e 250 Nm (com opção de caixa manual de seis velocidades ou automática DCT de sete velocidades mild hybrid). A meio da tabela encontramos o híbrido convencional (HEV), que combina o bloco a gasolina com um motor elétrico para entregar 245 cv e 380 Nm geridos por uma caixa automática clássica de seis relações com conversor de binário.
No topo mora a variante híbrida plug-in (PHEV), que eleva a fasquia para os 292 cv de potência combinada. Esta versão recebe uma nova bateria de 17,1 kWh (contra os 13,8 kWh da geração anterior), permitindo uma autonomia puramente elétrica de 81 km em ciclo WLTP. Carrega a 7,2 kW em corrente alternada e traz funcionalidades práticas como o Stay Mode, que mantém o ar condicionado e o sistema multimédia a trabalhar sem ligar a ignição enquanto esperas dentro do carro.
A realidade dos preços

Chegamos à parte mais sensível de qualquer compra de automóvel novo. O dinheiro que sai da conta bancária. As estimativas de preço de venda ao público em solo europeu mostram bem onde a Hyundai se quer posicionar:
- 1.6 T-GDi (150 cv): A rondar os 38.000 euros
- 1.6 T-GDi Hybrid (245 cv): A rondar os 46.000 euros
- 1.6 T-GDi PHEV (292 cv): A bater nos 52.000 euros
É dinheiro. Especialmente a versão híbrida Plug-In. São cinquenta e dois mil euros por um SUV generalista. Por mais bem construído, potente e espaçoso que seja, é um valor absurdamente pesado para o poder de compra da esmagadora maioria das famílias portuguesas.
O produto é bom, com tecnologia de topo, e a resolver os problemas de espaço. Mas o mundo mudou radicalmente nos últimos dois anos! Hoje em dia tens fabricantes chinesas a colocar alternativas elétricas e REEV no mesmo segmento com baterias maiores, equipamento equivalente e garantia apoiada por grandes grupos industriais por valores entre os 30 mil e os 35 mil euros.
Por isso, a missão é bastante mais complicada, especialmente numa altura do campeonato em que o estatuto já não vende como vendia.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que as melhorias de espaço, a bateria de 17,1 kWh e os botões físicos justificam pagar mais de 45 ou 50 mil euros pelo novo Hyundai Tucson, ou perante a concorrência agressiva que vem do oriente este patamar de preços tornou-se difícil de justificar?








