A Google acaba de dar um passo grande na corrida da inteligência artificial. O Gemini ganhou a capacidade de controlar um computador de forma autónoma, ou seja, de navegar na internet, clicar, preencher campos e executar tarefas sozinho, sem precisar de ti a cada passo. Parece ficção científica, mas já está a funcionar. Assim o Gemini já consegue mesmo usar o computador sozinho.
Gemini já consegue usar o computador sozinho
A novidade chama-se “computer use” e está agora disponível de forma integrada no Gemini 3.5 Flash, o novo modelo da Google. Na prática, em vez de o Gemini se limitar a responder com texto, passa a poder agir: abre páginas, percorre menus, escreve em formulários e toma decisões para chegar a um objetivo que tu lhe deres.

Até aqui, criar este tipo de “agentes” de IA exigia um modelo dedicado e mais complexo. Agora, a função está embutida diretamente no novo modelo, o que facilita imenso a vida a quem desenvolve aplicações com esta tecnologia.
Um exemplo que percebes logo: encontrar voos baratos
A melhor forma de perceber o potencial disto é com um exemplo concreto. Imagina que pedes ao Gemini para te encontrar os voos mais baratos de Lisboa para Tóquio. Em vez de te dar links para pesquisares à mão, ele faz o trabalho todo: entra em vários sites de reservas, introduz as datas de ida e volta, vasculha os bilhetes disponíveis e volta com as melhores opções já tratadas.
Num teste real feito por um jornalista, o Gemini visitou três sites diferentes de reserva de voos, preencheu tudo e devolveu os resultados. Há até uma demonstração pública onde podes pedir-lhe para jogar o famoso 2048 e ver o modelo a decidir sozinho como mover as peças para fazer a maior pontuação possível.
O lado perigoso: e a segurança?
Claro que dar a uma IA a capacidade de mexer no computador e agir sozinha levanta questões óbvias de segurança. Afinal, ninguém quer que um assistente faça uma compra ou apague algo importante por engano, ou pior, que seja enganado por instruções maliciosas escondidas numa página.
A Google diz estar atenta a isto e introduziu duas proteções importantes. A primeira: o modelo pode ser configurado para pedir a tua confirmação explícita antes de executar ações sensíveis ou irreversíveis. A segunda: consegue parar automaticamente uma tarefa se detetar uma tentativa de manipulação através de instruções escondidas (os chamados ataques de “prompt injection”).
Além disso, a empresa recomenda a quem usa esta tecnologia que combine estas defesas com ambientes isolados e seguros, controlos de acesso rigorosos e supervisão humana, o tal “human-in-the-loop”, em que uma pessoa valida o que a IA está a fazer.
Porque é que isto importa para ti
Por agora, esta funcionalidade está mais virada para programadores e empresas, que podem construir os seus próprios assistentes inteligentes em cima dela. Mas o sinal para o consumidor comum é claro: estamos a entrar na era dos assistentes que não se limitam a responder a perguntas, mas que fazem as coisas por nós.
Reservar viagens, comparar preços, preencher formulários chatos, tratar de tarefas repetitivas online, tudo isto pode, num futuro próximo, passar a ser delegado à IA. E o “computer use” do Gemini 3.5 Flash é mais um passo firme nessa direção. Está disponível a partir de hoje.



