Os PCs baratos estão a desaparecer. Montar ou comprar um PC em 2026 está a tornar-se um exercício cada vez mais irritante. E, de facto, já não era nada fácil. Tudo sobe. RAM, armazenamento, placas gráficas, processadores, portáteis, desktops pré-montados, tudo.
Mas, como sempre, há uma parte do mercado que pode sofrer mais do que todas as outras. Ou seja, se os smartphones acessíveis vão desaparecer, a verdade é que o mesmo se pode repetir no lado dos PCs acessíveis. Especialmente aqueles que sempre serviram de porta de entrada para jogadores com menos dinheiro para gastar.
Aliás, começa a haver uma conclusão cada vez mais difícil de ignorar. Quando falta hardware e os custos disparam, as marcas deixam de olhar para quem quer gastar pouco. Passam a olhar para quem ainda consegue gastar muito.
Os fabricantes já perceberam onde está o dinheiro?
Durante muito tempo, o mercado de PCs viveu de variedade. Havia máquinas para todos os gostos, feitios e carteiras. Um portátil simples para estudar, um desktop razoável para trabalhar, uma máquina minimamente competente para jogar. Era possível comprar algo sem rebentar com o orçamento.
O problema é que esse equilíbrio está a desaparecer.
Com a crise da memória ainda viva, com falta de componentes em várias áreas da cadeia de produção e com margens cada vez mais apertadas, os fabricantes começaram a fazer aquilo que qualquer empresa faria. Cortar onde se ganha menos e apostar onde ainda conseguem ganhar dinheiro a sério.
Ou seja, os PCs baratos estão a deixar de ser prioridade, porque não dão dinheiro.
O drama não está no topo. Está cá em baixo!
Quem compra uma máquina de 1300 ou 1500 euros continua a ter opções. Talvez mais caras, talvez menos apelativas, com muito menos performance. Mas continuam a existir. O verdadeiro problema está no segmento mais baixo, onde cada aumento de custo pesa muito mais.
Antes era possível montar um PC a 500€, que não seria perfeito, mas era, de facto, interessante. Agora? É para esquecer. Ainda existem algumas alternativas, mas desaparecem lentamente das prateleiras, do stock, e fica a ideia de que tão cedo não voltam.
O mais grave é que isto pode rebentar com a porta de entrada do PC, e para quem quer jogar, no lado das consolas não está melhor.
Qualquer pessoa que queira entrar neste mundo vai primeiramente tentar algo razoável, em vez de comprar o melhor do melhor. Até para quem quer jogar, não faz sentido apostar logo em 32 GB de RAM, um CPU de 800€ e uma placa gráfica de 1500€. É por baixo que se começa.
Agora, sem componentes acessíveis, e de facto, com as consolas a aumentar de preço todos os anos, até quem quer fazer uma jogatana quando chega do trabalho vê problemas à sua frente. Aliás, até eu, que sempre gostei de jogar. Até tenho medo que algum componente do meu PC dê o berro. Porque seria a morte do artista.










