Quando a Apple subiu ao palco para mostrar o caríssimo iPhone Duo e pedir 2400€ por um telemóvel que dobra ao meio, a internet reagiu com a habitual divisão entre quem baba pelo logótipo da maçã e quem se farta de rir com o facto de a marca ter demorado quase uma década a responder à Samsung.
Mas, além do facto de a Apple não gostar de corridas tecnológicas, há detalhes de bastidores que contam uma história bem diferente e muito mais saborosa. Ou seja, a ideia de um telemóvel flexível em Cupertino não nasceu ontem, nem há cinco anos. Nasceu há década e meia. Curiosamente pelas mãos de um senhor que hoje manda naquilo tudo: John Ternus!
O iPhone Duo demorou 15 anos a nascer. Sabias?

Quem puxou o fio à meada foi o conhecido leaker Ice Universe, que desenterrou uma patente registada pela Apple em 2011 sob o nome “Flexible Electronic Devices”.
Mas, se a patente foi publicada em 2013 e aprovada oficialmente em 2015, porque raio demorou a Apple 11 anos a meter o iPhone Duo nas lojas? Simples. A ideia é deixar os outros tentarem, para depois a Apple aprender com os erros alheios e eventualmente aparecer com ar triunfante.
E isso até faz algum sentido.
Lembras-te do calvário da Samsung em 2019 com o primeiro Galaxy Fold? Ecrãs a partir no primeiro dia na mão dos jornalistas, películas arrancadas por engano que destruíam os painéis, dobradiças que engoliam pó da praia e ecrãs com vincos que pareciam uma valeta de estrada nacional. A Apple assistiu a esse circo de camarote, sentada no sofá a comer pipocas:
- Anos de patentes cirúrgicas: Enquanto a concorrência lançava gerações prematuras no mercado, a equipa de Ternus dedicou anos a patentear sistemas de dobradiça com folgas milimétricas, materiais com capacidade de auto-regeneração e tratamentos de nanotextura para tentar disfarçar o vinco ao máximo.
- Conversas de bastidores: Logo em 2016 já andavam em negociações com a LG Display e mais tarde com a Samsung Display para garantir ecrãs que não parecessem película aderente de cozinha ao toque.
- A tática do relógio parado: A marca só avançou quando percebeu que podia meter uma etiqueta absurda de 2000 dólares e vender o aparelho com a narrativa corporativa de que “esperámos até estar verdadeiramente pronto para os nossos padrões”.
Perfeição ou comodismo?
O iPhone Duo está longe de ser perfeito. É incrivelmente pesado na mão, é grosso quando está fechado e custa uma exorbitância que não faz sentido nenhum. Especialmente na cabeça de quem tem de pagar contas ao fim do mês. Mas comparado com os primeiros aparelhos do ecossistema Android. O nível de refino e solidez estrutural é noutro patamar.
Agora resta saber se vai ser um sucesso, ou não. É que os dobráveis continuam a ser um produto de nicho.






