Governo quer saber porque é que os combustíveis não descem ao ritmo a que subiram (Pois claro. Também eu!)
Se não andas a viver dentro de uma gruta, sabes bem que o preço da gasolina e do gasóleo é daquelas coisas que nos faz fazer contas à vida todas as semanas. Especialmente quando existe alguma coisa a criar instabilidade política.
No fundo, é uma rasteira comercial com que todos nós já lidamos há anos. Ou seja, quando o petróleo sobe nos mercados internacionais, os preços nos postos de abastecimento disparam quase no mesmo minuto. Mas, quando o crude desce, as bombas parecem sofrer de uma amnésia coletiva e os preços teimam em ficar no mesmo sítio durante algum tempo extra.
Pois bem, o assunto ganhou tanta tração que a própria ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, veio a público admitir que o Executivo pediu à ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético) para ir perceber o que se passa.
A governante foi ouvida no Parlamento e não usou meias palavras. Curiosamente, a usar um discurso muito similar ao de Trump, que fez a mesma questão nestes últimos dias. No fundo, esta disparidade na evolução dos preços “não tem razão de ser” e o Governo quer perceber tim-tim por tim-tim porque é que as descidas não acompanham a queda da cotação do petróleo.
A desculpa do costume para justificar a subida?
Portanto, para percebermos como chegámos aqui, é preciso recuar um pouco. Os preços dos combustíveis andam inflacionados na sequência das tensões internacionais no início do ano, nomeadamente após os ataques no Médio Oriente e o medo global de que o encerramento do estreito de Ormuz bloqueasse o abastecimento de crude. Nessa altura, o mercado reagiu de imediato e nós pagámos a fatura na hora de atestar o carro.
O problema é que as águas acalmaram, o petróleo começou a descer, curiosamente para valores mais baixos face aos do pré-guerra, mas os postos de combustível em Portugal continuam a praticar valores que não batem certo com a realidade internacional.
É por isso que a ENSE foi chamada a intervir com as suas competências de fiscalização e supervisão. Resta saber se esta auditoria vai dar em alguma coisa palpável ou se vai ser apenas mais um relatório para ficar a apanhar pó numa gaveta qualquer enquanto nós continuamos a pagar o combustível a preço de ouro.
A almofada de Sines que nos safou do pior?
No meio desta discussão, a ministra aproveitou ainda para sublinhar que, apesar de estarmos a pagar caro… Portugal conseguiu atravessar a recente crise energética de forma ligeiramente mais favorável do que outros países da Europa. E a razão para isso é muito simples: chama-se refinaria de Sines.
A infraestrutura garante perto de 80% das necessidades de combustível de todo o país. Ao não estarmos totalmente dependentes da importação de produtos já refinados e ao termos uma boa diversificação de fornecedores de matéria-prima, o país conseguiu manter as luzes ligadas e os carros a andar sem os cenários de rutura total de stock que se viram noutras paragens.
Ainda assim, ter estabilidade no abastecimento não pode servir de desculpa para que as petrolíferas abusem das margens de lucro à nossa custa.




