Agosto ainda não acabou e o céu volta a dar espetáculo. Depois do eclipse solar do início do mês, chega agora a vez da Lua: na madrugada de 28 de agosto, um eclipse lunar parcial vai ser visível a partir de todo o país. E há uma boa notícia para quem cá vive, Portugal está entre os melhores lugares da Europa para o observar, já que a Lua se mantém mais alta no horizonte durante mais tempo do que na maior parte do continente. Não vai ser um eclipse total, mas está longe de ser discreto: no ponto máximo, mais de 90% do disco lunar fica mergulhado na parte mais escura da sombra da Terra, dando à Lua um tom acobreado que faz lembrar as chamadas “luas de sangue”. Vale bem o despertador a horas pouco cristãs.
A que horas ver (Portugal continental)
O fenómeno prolonga-se por várias horas, mas nem todas as fases são igualmente vistosas. Estes são os momentos-chave em hora de Portugal continental (e da Madeira):
- 02h23 — a Lua começa a entrar na penumbra da Terra (mudança ainda muito subtil).
- 04h12 — arranca a fase parcial, quando a sombra escura começa a “morder” o disco lunar.
- 05h12 — o máximo do eclipse, com a Lua no seu aspeto mais dramático.
- 06h13 — termina a fase parcial.
- Depois das 07h00 — encerra a fase penumbral.
Se estiveres nos Açores, subtrai uma hora a todos estes valores.
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Para onde olhar
Aqui está o pormenor que faz a diferença: à medida que o eclipse avança, a Lua vai baixando no céu, a caminho do poente. Por isso, precisas de um local com o horizonte desimpedido virado a oeste, sem prédios nem montes a tapar. Como o máximo acontece já perto do amanhecer, o nascer do Sol vai começar a clarear o céu atrás de ti, a leste, motivo a mais para escolheres um sítio com pouca luz artificial e boa abertura.
Vai ser uma “lua de sangue”?
Não na totalidade. Por ser um eclipse parcial, cerca de 93% do diâmetro lunar dentro da umbra no pico —, uma pequena fatia da Lua fica sempre fora da sombra mais escura. Ainda assim, a parte eclipsada deverá ganhar aqueles tons avermelhados ou acobreados que tornam estes eventos tão fotogénicos. Essa cor nasce da luz solar que atravessa a atmosfera da Terra e é desviada em direção à Lua.
Precisas de equipamento?
Nada. Ao contrário de um eclipse solar, um eclipse lunar é totalmente seguro de observar a olho nu, sem óculos nem filtros. Se tiveres uns binóculos ou um telescópio, ganhas em detalhe e consegues distinguir melhor as subtis variações de cor na superfície, mas são um extra, não uma necessidade.

Para quem quiser fazer disto uma verdadeira noite de astronomia, o Centro Ciência Viva de Constância prepara uma sessão especial de observação a partir da meia-noite de 27 para 28.
Porque não deves deixar passar
Além de ser um belo pretexto para uma madrugada diferente, este é apontado como o eclipse lunar mais marcante até ao final de 2028. Ou seja: se falhares este, a próxima oportunidade para ver a Lua assim vestida de cobre fica para daqui a uns bons anos.







