O Governo aprovou uma nova descida do IRS, a quinta desde 2024, e desta vez já se conhecem os números exatos. As taxas vão baixar do 1.º ao 6.º escalão, entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais, e o efeito começa a sentir-se já no salário de novembro, com retroativos a janeiro. Explicamos, escalão a escalão, quanto desce a tua taxa e o que isso significa na prática.
Quanto baixa em cada escalão
A redução não é igual para todos: os escalões do meio (a classe média) são os mais beneficiados. Em concreto, as novas taxas ficam assim:
- 1.º escalão (rendimento coletável até 8.342€): a taxa desce de 12,50% para 12,20% (menos 0,3 pontos).
- 2.º escalão (até 12.587€): baixa de 15,70% para 15,20% (menos 0,5).
- 3.º escalão (até 17.838€): desce de 21,20% para 20,70% (menos 0,5).
- 4.º escalão (até 23.089€): recua de 24,10% para 23,60% (menos 0,5).
- 5.º escalão (até 29.397€): baixa de 31,10% para 30,60% (menos 0,5).
- 6.º escalão (até 43.090€): desce de 34,90% para 34,60% (menos 0,3).
Do 7.º ao 9.º escalão (os rendimentos mais altos), as taxas mantêm-se iguais.

Toda a gente beneficia (mesmo os escalões de cima)
Aqui está um ponto que confunde muita gente. Embora a descida seja “até ao 6.º escalão”, na prática todos os contribuintes ganham alguma coisa, mesmo quem está nos escalões mais altos.
Porquê? Porque o IRS é progressivo: o teu rendimento é dividido em fatias, e cada fatia é tributada à taxa do seu escalão. Ou seja, mesmo quem ganha muito “passa” pelos escalões mais baixos e beneficia da descida nessa parte do rendimento. No total, a medida deverá abranger mais de 2,9 milhões de agregados familiares, com um alívio fiscal de 400 milhões de euros.
Atenção: é a taxa que desce, não é dinheiro direto
Um esclarecimento importante para gerir expectativas. A redução é em pontos percentuais na taxa, não é um valor fixo que “cai” na conta. Quanto vais poupar em euros depende do teu rendimento concreto: quem ganha mais dentro dos escalões abrangidos poupa mais em valor absoluto; quem ganha menos, poupa menos (mas, proporcionalmente, o alívio pode pesar mais no orçamento).
Segundo o Governo, nos agregados com rendimentos mais baixos, a poupança acumulada das várias reduções deste ano pode chegar ao equivalente a um salário mensal.
Quando se sente no bolso: novembro
O alívio chega através das novas tabelas de retenção na fonte (o desconto mensal do IRS no salário). A partir de novembro, essas tabelas passam a descontar menos e, como a medida tem efeitos retroativos a janeiro, novembro devolve também o imposto cobrado a mais desde o início do ano. Somado ao subsídio de Natal, faz de novembro e dezembro meses de salário líquido mais alto.

Uma ressalva importante
Convém guardar a devida cautela num ponto: esta é uma proposta de lei que ainda tem de ser aprovada no Parlamento. Só depois de aprovada e publicada é que as novas taxas entram oficialmente em vigor. O Governo conta que isso aconteça a tempo de refletir no salário de novembro, mas depende do processo legislativo.
E há o lembrete de sempre: reter menos ao longo do ano pode significar um reembolso mais pequeno no acerto do IRS em 2027. Não é dinheiro “a mais” é o teu dinheiro a chegar mais cedo.
Como sempre nestes temas, os valores exatos dependem da tua situação, por isso vale a pena usar um simulador quando as novas tabelas forem publicadas. Mas a mensagem principal fica: se ganhas até cerca de 43 mil euros de rendimento coletável por ano, a tua taxa de IRS vai descer e vais notá-lo no salário já em novembro.








