Há mais de um século que os cientistas não davam nome a uma nova espécie de pinguim. Isso acaba de mudar. Uma equipa internacional identificou uma nova espécie de pinguim que vive numas das ilhas mais isoladas do planeta, e a descoberta chega com um aviso: esta ave pode já estar em risco.
Onde vive o novo pinguim
O novo pinguim vive nas ilhas Kerguelen, no sul do oceano Índico, conhecidas em francês como Ilhas da Desolação. O nome não é exagerado: ficam a quase 3.200 quilómetros de qualquer território permanentemente habitado. Esse isolamento ajuda a explicar como uma espécie inteira passou despercebida durante tanto tempo.
A descoberta foi feita por uma equipa liderada por investigadores do Chile e da Universidade da Califórnia em Berkeley, e publicada na revista científica Communications Biology.

Afinal não era uma espécie, eram quatro
A nova espécie pertence ao grupo do pinguim-papua, também conhecido como pinguim-gentoo. Até agora, este pinguim era considerado uma única espécie espalhada por várias ilhas do hemisfério sul, mas a sua classificação sempre gerou discussão. Um dos autores do estudo lembrou que, há mais de 100 anos, os especialistas discutem quantas espécies ou subespécies existem.
Para resolver a questão, os cientistas analisaram os genomas de 64 pinguins de dez colónias, cruzaram esses dados com medições de exemplares de museu, alguns do século XIX, e com informação ambiental como a temperatura da água e a disponibilidade de alimento. O resultado mostrou quatro grupos distintos, que evoluem separadamente há centenas de milhares de anos.
São eles o pinguim-papua do norte, na América do Sul e nas Malvinas; o do sul, na Antártida e ilhas próximas; o do leste, nas ilhas Crozet, Marion e Macquarie; e o novo, do sudeste, nas Kerguelen.
Como é a nova espécie
À primeira vista, é praticamente igual aos outros pinguins-papua, com o dorso preto e a barriga branca que ajudam a escapar aos predadores e a caçar no mar. As diferenças estão no tamanho, intermédio entre os pinguins da América do Sul e os da Antártida, e em pequenos pormenores nas vocalizações.
Os genes também contam uma história de adaptação. Os pinguins das águas mais frias mostram alterações ligadas à produção de calor e ao armazenamento de gordura, enquanto os das águas mais quentes têm mudanças associadas à digestão e ao funcionamento do coração.
A dieta que ajudou a criar novas espécies
Curiosamente, foi a alimentação variada destes pinguins que ajudou a separá-los. Como comem peixe, krill, lulas e chocos, não precisam de se afastar muito das colónias e regressam ano após ano aos mesmos locais de nidificação. Ao longo de milhares de anos, as populações de cada ilha foram-se adaptando ao seu próprio ambiente.
Essa flexibilidade tem sido uma vantagem. Na Península Antártica, enquanto espécies com dietas mais restritas, como o pinguim-imperador e o pinguim-de-adélia, estão a diminuir, os pinguins-papua estão a aumentar.
Uma descoberta com um alerta
Entretanto o problema é o que vem a seguir. Assim usando modelos climáticos para 2050, os investigadores concluíram que três das quatro espécies, incluindo a nova, deverão perder grande parte do habitat oceânico adequado com a subida das temperaturas. Os autores defendem que os países envolvidos reconheçam estas espécies e tomem medidas para as proteger.
E tu, imaginavas que ainda havia pinguins por descobrir?






