Não tem link. Não tem site falso. Nem pede para clicares em nada. E é exatamente por isso que esta burla está a apanhar tanta gente desprevenida. A mensagem chega em nome da Caixa Geral de Depósitos e diz mais ou menos isto: uma transação de 79,20 euros no teu cartão foi retida e, se não a reconheces, deves contactar um número de telemóvel. Simples, curta, credível. E completamente falsa. Quem está habituado a desconfiar de links suspeitos baixa a guarda aqui, porque não há link nenhum. Há só um número. E é esse número que faz todo o trabalho sujo.
Nova burla da CGD não tem link e é mais perigosa
O phishing clássico depende de tu clicares e escreveres os dados num site copiado. Já toda a gente ouviu falar disso. Esta variante chamada vishing, ou phishing por voz, inverte a lógica: em vez de te levar a um site, leva-te a uma chamada.

E numa chamada há uma coisa que um site falso nunca terá: um ser humano do outro lado, treinado para te apressar, tranquilizar e conduzir. A urgência de “o teu dinheiro está em risco” faz o resto.
Repara também no detalhe: o remetente é um número de telemóvel português normal (+351…), não um remetente alfanumérico do banco. E o contacto indicado é outro telemóvel. Bancos não te pedem para ligares para telemóveis pessoais.
O que acontece realmente se ligares
Atendem-te como se fosse um call center. Há guião, há tom profissional, às vezes há música de espera e ruído de fundo propositado. A partir daí, o esquema segue quase sempre a mesma ordem:
Ganham a tua confiança. Repetem o teu nome, falam da tal transação de 79,20 euros, dizem que estão a “bloquear o pagamento”. Tudo para te convencer de que estão do teu lado.
Pedem os dados do cartão. Número completo, validade, CVV. Justificam com um “é só para confirmar a identidade do titular”.
Pedem o código que te chega por SMS. Este é o momento decisivo. Esse código não anula nada, autoriza. Pode estar a validar uma compra online, um pagamento MB WAY ou, pior, a associação do teu cartão a uma carteira digital no telemóvel deles. A partir daí pagam em lojas físicas com o teu cartão, sem o teu cartão.

Podem pedir-te para instalar uma app. AnyDesk, TeamViewer ou semelhante, “para o técnico verificar a conta”. Na prática, passam a ver o teu ecrã e a guiar-te enquanto tu autorizas tudo.
Ou pedem uma transferência “para uma conta segura”. Não existe conta segura nenhuma. É a conta de um intermediário e o dinheiro desaparece em minutos.
Mesmo que não chegues a dar nada, ligar tem custo: confirmas que o número está ativo e que respondes a este tipo de contacto. Passas a estar numa lista melhor.
O que fazer quando receberes uma destas
Não ligues para o número da mensagem. Se ficaste com dúvidas sobre a tua conta, usa o número oficial impresso no verso do teu cartão ou a app do banco.
Nunca partilhes códigos de confirmação, PIN, CVV ou credenciais por telefone. Nenhum banco em Portugal os pede, nem em chamadas que tu inicias.
Se já ligaste e já deste dados, atua já: cancela o cartão pela app ou pela linha oficial, altera as credenciais do homebanking, desassocia dispositivos MB WAY e apresenta queixa na PSP, GNR ou na Polícia Judiciária. Avisa também o banco por escrito, vais precisar disso se quiseres contestar operações.
Se queres estar protegido destas e outras ameaças visita este grupo no Facebook.







