Enquanto na maior parte da Europa os carros elétricos ainda lutam para convencer os condutores, há um país onde comprar um carro a gasolina ou a gasóleo já é quase uma raridade. Em agosto, na Noruega, uns impressionantes 98,7% de todos os carros novos vendidos eram 100% elétricos, um novo máximo histórico que coloca o país a um passo de se tornar o primeiro mercado totalmente elétrico do mundo.
Números de outro planeta
Os dados, divulgados pela federação rodoviária norueguesa (OFV), mostram um mercado praticamente convertido. Dos carros novos registados em agosto, quase todos eram elétricos, acima dos 96,9% do ano anterior. E não é um mês isolado: desde o início de 2026, os elétricos representam 97,8% de todas as vendas de carros novos no país.

Para teres uma ideia do contraste, na maioria dos países europeus os elétricos puros andam pelos 10% a 15% das vendas e em Portugal a fatia é ainda mais modesta. Ou seja, a Noruega está numa realidade completamente à parte.
Como é que chegaram aqui
O mais curioso é que a Noruega é, ela própria, um grande produtor de petróleo e mesmo assim lidera a transição para o elétrico. O segredo está em décadas de incentivos. Assim quem compra um carro elétrico fica isento de IVA e de impostos de registo, o que faz com que muitos modelos elétricos saiam mais baratos do que os equivalentes a combustão. Foram políticas de longo prazo, mantidas ao longo dos anos, que empurraram praticamente todos os condutores para o elétrico.
Há ainda um detalhe interessante nos números. As marcas chinesas estão a crescer a olhos vistos (a Xpeng e a BYD já valem, juntas, mais de 11% do mercado), enquanto a Tesla registou uma quebra. A sua descida, sozinha, explica a ligeira contração do mercado em agosto.

O que falta para os 100%
Apesar dos números quase perfeitos nas vendas de carros novos, a transição total ainda não está concluída. Isso porque os carros que já circulam nas estradas demoram anos a ser substituídos. Estima-se que cerca de um terço da frota total norueguesa seja já elétrica ou híbrida. Ou seja, o país está a “encher” o parque automóvel de elétricos ao ritmo a que se vendem carros novos e esse processo leva o seu tempo.
Ainda assim, o rumo é claro e serve de exemplo (e de aviso) para o resto da Europa. Com os incentivos certos e a persistência de décadas, uma transição que muitos achavam impossível pode mesmo acontecer. A pergunta que fica é se outros países, Portugal incluído, estarão dispostos a seguir o mesmo caminho.








