Todos os anos, em pleno agosto, o céu enche-se de estrelas cadentes. É o melhor espetáculo astronómico gratuito do verão, e este ano há um motivo extra para marcares a data: 2026 traz as melhores condições para ver as Perseidas em anos. Se só fores lá fora uma noite, que seja esta porque vais poder ver centenas de estrelas cadentes.
Nesta noite vais poder ver centenas de estrelas cadentes: não falhes!
O que são as Perseidas
As Perseidas são uma chuva de meteoros que acontece quando a Terra atravessa o rasto de poeira deixado por um cometa neste caso, o Swift-Tuttle, o maior objeto conhecido que passa regularmente perto de nós. Esses bocadinhos minúsculos entram na atmosfera a altíssima velocidade e ardem a cerca de 100 quilómetros de altura, deixando aqueles riscos de luz a que chamamos estrelas cadentes.
O nome vem da constelação de Perseu, a zona do céu de onde os meteoros parecem irradiar. Não é que venham mesmo de lá, é só perspetiva. Mas é por isso que a chuva tem este nome.
A noite que não podes falhar
A chuva está ativa de meados de julho até finais de agosto, mas a esmagadora maioria dos meteoros concentra-se no pico. Este ano, o pico é na noite de 12 para 13 de agosto. É essa a noite a guardar no calendário.
E aqui está o que torna 2026 especial: o pico coincide com a Lua Nova. Por outras palavras, não há praticamente luar nenhum a roubar protagonismo às estrelas cadentes. Isto faz toda a diferença, porque numa noite de lua cheia o brilho apaga os meteoros mais fracos e ficas só com os mais intensos. Este ano vês tudo. São condições que não aparecem com frequência, a próxima oportunidade assim só daqui a uns anos.
Quantas vais conseguir ver
Depende muito de onde estiveres. Num sítio verdadeiramente escuro, longe das luzes da cidade, é possível ver dezenas de meteoros por hora, em noites boas, números que facilmente passam de uma centena ao longo de uma sessão. Numa zona suburbana, com alguma poluição luminosa, contas mais para os vinte ou trinta por hora. Mesmo numa cidade vês os mais brilhantes, sobretudo as bolas de fogo, aqueles meteoros mais intensos que deixam rasto.
A melhor altura da noite é depois da meia-noite e até ao amanhecer, com as horas entre as duas e as cinco da manhã a serem geralmente as mais produtivas, quando a parte certa do céu está mais alta.
Como ver o máximo possível
Não precisas de telescópio nem binóculos, pelo contrário, atrapalham, porque reduzem o pedaço de céu que consegues abranger. Estrelas cadentes vêem-se a olho nu, com o céu todo à tua frente. Para uma boa sessão:
- Afasta-te das luzes da cidade. Quanto mais escuro o sítio, mais vais ver. Mesmo 20 ou 30 minutos de carro para fora da cidade fazem uma diferença enorme.
- Dá ao teu olho 15 a 30 minutos para se habituar ao escuro, e resiste à tentação de olhar para o telemóvel o ecrã estraga a visão noturna num instante.
- Leva uma manta ou uma cadeira reclinável e instala-te com tempo. Isto é para relaxar e olhar para cima, não para andar a procurar.
- Confere a previsão do tempo. De nada serve o céu escuro se estiver nublado se for caso disso, troca de noite ou de sítio.
Um bónus astronómico no mesmo dia
E há uma cereja em cima do bolo. No próprio dia 12 de agosto há também um eclipse solar total, cujo trajeto de totalidade passa pelo norte de Espanha. Em Portugal não se vê o eclipse total, mas vê-se um eclipse parcial bastante acentuado durante o dia. Ou seja, podes ter um dia astronómico a sério: o Sol parcialmente tapado à tarde e, horas depois, uma chuva de estrelas a céu escuro. Atenção apenas a uma regra de ouro do eclipse, nunca olhes diretamente para o Sol sem proteção adequada.
Um plano simples para a noite
Escolhe a noite de 12 para 13 de agosto, sai para fora da cidade, deita-te a olhar para cima e tem paciência. Os meteoros vêm aos grupos: às vezes ficas uns minutos sem ver nada e depois aparecem três seguidos. Com a Lua fora do caminho este ano, é a desculpa perfeita para uma escapadinha de fim de noite que não vais esquecer.






