Há muitas luas atrás, a par da Renault, a Nissan foi uma das pioneiras do mundo elétrico com o seu muito bem sucedido Leaf. Podemos até dizer que é um dos “pais” do carro elétrico atual. Este é um automóvel que passou por várias atualizações, e que de facto, ainda é fácil encontrar nas nossas estradas.
Porém, e contra as expetativas de muitos, enquanto a Renault foi capaz de aprender com o Zoe, a Nissan parece ter ficado “presa” no tempo. Aliás, a Nissan nem sequer tem uma plataforma compacta para dar vida a um veículo do segmento B, aproveitando o trabalho que a “colega” Renault fez com o R5.
Mas, a Nissan ainda sabe o que anda a fazer, e o novo Leaf é a prova irrefutável disto mesmo.
Nissan Leaf – E não é que a marca ainda sabe fazer elétricos?

O “pai” dos carros elétricos está de volta! O Novo Nissan Leaf mandou o visual esquisito para o lixo e aposta tudo na autonomia real!
Sim, é verdade que já existiam coisas a pilhas antes dele, mas este foi aquele modelo esquisito lançado no início da década de 2010 que abriu as portas a tudo o que hoje consideramos normal nas estradas. O problema é o que aconteceu depois! A Nissan adormeceu à sombra da bananeira, deixou-se ultrapassar por toda a gente e viu o seu pioneiro ser atirado para um canto escuro pela concorrência.
Pois bem, agora, em pleno 2026, a marca japonesa decidiu finalmente acordar com o novíssimo Leaf de terceira geração.
Esquece aquele formato que apenas os condutores mais corajosos tinham coragem de estacionar à porta de casa. O novo Leaf transformou-se num crossover aerodinâmico com 4,35 metros de comprimento, linhas afiadas com um coeficiente aerodinâmico de apenas 0.25 Cd e uma traseira musculada com um spoiler estilo “ducktail” que faz lembrar clássicos desportivos como o velhinho 300ZX.
Nada aqui parece um carro emprestado da parceira Renault. Tem identidade própria e atitude a sério.
Autonomia no mundo real: A Nissan deixou-se de tretas

Tenho de tirar o chapéu aos engenheiros da Nissan. Estes admitiram abertamente que os 620 km teóricos da versão de topo são puro otimismo. Por isso, em vez de promessas ocas, a marca colocou os números práticos em cima da mesa. O carro faz cerca de 430 km reais a circular a 110-120 km/h constantes.
Se o percurso for misto ou em ritmos mais calmos de cidade e nacionais, a fasquia dos 500 km é perfeitamente alcançável sem transpirar. Para bater o pé a rivais diretos como o Kia EV3, o Skoda Elroq ou o Volkswagen ID.3, a gama assenta em duas opções bem definidas:
- Bateria de 52 kWh: Motor de 174 cv, tração dianteira, aceleração dos 0 aos 100 km/h em 8,3 segundos e cerca de 450 km de autonomia declarada.
- Bateria de 75 kWh: Motor puxado para os 215 cv, 0 aos 100 km/h em 7,6 segundos e uma curva de carregamento rápido a 150 kW capaz de repor 440 km de autonomia em apenas 35 minutos.
Adeus arcaísmos: Dois ecrãs gigantes e ecossistema Google


Quem se lembrava dos interiores tristes e dos sistemas multimédia lentos da Nissan vai apanhar um choque ao abrir a porta. O tablier é dominado por dois ecrãs colados de 14,3 polegadas que parecem um painel panorâmico contínuo. A navegação corre sobre a base do Google, com mapas atualizados ao segundo, comandos de voz que realmente funcionam à primeira tentativa e suporte sem fios para Apple CarPlay e Android Auto.
Nem tudo é perfeito, claro. A barra tátil inferior para controlar o ar condicionado fica um bocado fora de mão e exige um toque com demasiada força para reagir, algo que irrita em andamento.
Além disso, o tejadilho panorâmico corta espaço crucial para a cabeça de passageiros com mais de 1,85 metros, e a mala de 437 litros, embora funda, ressente-se do corte aerodinâmico da traseira. E sim: continuamos sem ter um porta-bagagens à frente (frunk) para arrumar os cabos sujos.

Vale a pena a espera?
Ou seja, o novo Leaf não foi feito para quem procura sensações de pista. Não é esse o objetivo. A direção é previsível (mas muito apontada), a suspensão traseira isola muito bem o mau piso e a regeneração “e-Pedal” no trânsito urbano é das mais intuitivas do mercado. É um carro sensato, confortável e muito bem construído. Eu gostei.
Em suma, depois de anos a definhar com baterias refrigeradas a ar e tecnologia ultrapassada. A Nissan entregou finalmente um produto maduro que não tem vergonha de olhar nos olhos da concorrência direta.








