Ninguém compra PCs por causa da IA? Que novidade!

Ao longo dos últimos dois anos, a indústria decidiu que tudo tinha de ser “IA”! Portáteis, desktops, monitores, ratos, torradeiras… Tudo passou a ter inteligência artificial algures no discurso de marketing, mesmo quando o impacto real para o utilizador era próximo de zero.

Até fica a ideia de que… Se tudo é IA, nada acaba por ser IA. Mas enfim.

No meio deste ruído todo, há finalmente alguém a admitir o óbvio. A Dell veio a público reconhecer que os clientes simplesmente não estão interessados em comprar produtos por causa da IA.

Por isso, decidiu travar a fundo nessa estratégia.

Menos “parvoíce” e mais produto!

Quem acompanhou o CES 2026 com atenção deve ter reparado num detalhe curioso. Ao contrário de muitas marcas concorrentes, a Dell não andou a colar o autocolante da Inteligência Artificial em tudo o que mexia. Nos novos Alienware, nos desktops Area-51 e até nos portáteis de produtividade, o foco foi outro. Gaming, desempenho real, experiência de utilização.

Isto não quer dizer que os equipamentos não tenham NPU ou capacidades ligadas à IA. Têm. Todos têm. É algo que parte dos SoC atuais. Porém, a diferença é que a Dell deixou de fingir que isso, por si só, é um argumento de venda.

Curiosamentem, Kevin Terwilliger, responsável de produto da marca, foi direto ao assunto numa entrevista recente. Disse, sem rodeios, que as pessoas não estão a comprar PCs com base na inteligência artificial. Pelo contrário, muitas vezes ficam ainda mais confusas com a conversa.

A promessa que não foi cumprida?

A própria liderança da Dell já fala da IA como uma “promessa não cumprida”.

Durante meses, foi vendida como a próxima grande revolução do PC, mas na prática o utilizador comum continua a fazer exatamente o mesmo que fazia antes. Navegar, trabalhar, jogar, ver vídeos. Pode ir ao ChatGPT ou ao Gemini. Mas nada disso depende da IA do hardware, está tudo na nuvem, e por isso… Acaba por interessar pouco ou nada no final do dia.

O problema é que, no meio desta obsessão, a IA ajudou a criar outros problemas bem reais. A corrida às NPUs e aos modelos locais ajudou a pressionar o mercado de memória, contribuiu para a escassez de DRAM e empurrou preços para cima. Tudo isto sem benefícios claros para quem compra.

Resultado? Estamos lixados. Pelo menos por enquanto.

Um sinal raro de lucidez?

Num mercado onde quase todas as marcas continuam a empurrar a mesma narrativa, é refrescante ver uma empresa admitir que exagerou. Mais raro ainda é ver uma marca a ajustar o discurso com base no feedback real dos consumidores.

Em suma, a Dell não está a abandonar a IA. Até porque isso não seria uma grande ideia. Está apenas a acertar estratégia e expetativas. Está apenas a colocá-la no sítio certo. Pode ser o início de algo bom para o mercado, que com fome de novidade, abraçou a IA com… Muita força.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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