Conheces aquele momento frustrante em que estás numa videochamada no quarto e, de repente, a imagem congela? Ou quando a tua lâmpada inteligente decide desligar-se da rede sem motivo aparente? Bem-vindo às zonas mortas de Wi-Fi. A boa notícia é que não precisas de comprar um router novo ou um sistema de repetidores caro para resolver isto. Muitas vezes, corrigir uma má ligação Wi-Fi é apenas uma questão de mapear estas zonas mortas e aplicar correções lógicas. Assim vamos dizer-te como podes acabar com as zonas sem Wi-Fi em casa.
As zonas sem Wi-Fi em casa são previsíveis
As zonas mortas de Wi-Fi são física pura. Os sinais de rádio perdem força à medida que viajam, são absorvidos por paredes e móveis, fazem ricochete e sofrem interferências de outros sinais. A parte frustrante? Provavelmente não consegues ver nada disto a acontecer.
O primeiro passo é descarregar uma aplicação de análise de Wi-Fi para o teu telemóvel (como o Wi-Fi Analyzer para Android, ou similar). Estas apps permitem-te ver a força do sinal em tempo real enquanto caminhas pela casa.

Podes até criar um esboço simples da planta da tua casa, andar de forma sistemática pelas divisões e deixar a app marcar onde o sinal é forte ou fraco. Isto demora apenas 15 minutos, mas dá-te uma compreensão valiosa de como o sinal se comporta no teu espaço.
Muitas vezes, o resultado é previsível: se o router está na entrada, os cantos opostos da casa não têm sinal. A cozinha, com os seus eletrodomésticos de metal e armários, pode ser um autêntico cemitério de sinal. Estas zonas não são inalcançáveis, estão apenas mal otimizadas.
A localização do router é mais importante que as especificações
A forma mais simples de corrigir falhas na cobertura é encontrar a localização ideal para o router. O melhor local é sempre o centro da área que queres cobrir. Como o sinal Wi-Fi viaja igualmente em todas as direções a partir das antenas, colocá-lo no meio da casa garante, em teoria, a melhor cobertura possível.
Claro que, na realidade, paredes e obstáculos vão atrapalhar, mas começar pelo centro dá-te a melhor hipótese de sucesso.

A posição das antenas também conta. Se o teu router tiver antenas externas, o conselho habitual é posicioná-las perpendicularmente uma à outra uma na vertical e outra na horizontal. Isto cria uma cobertura mais equilibrada. Como já tens o teu mapa de zonas mortas, podes experimentar diferentes posições para ver o que funciona melhor.
O teu canal de Wi-Fi pode estar a lutar com os vizinhos
Isto pode parecer técnico, mas é bastante simples. Imagina os canais de Wi-Fi como frequências de rádio. Se todos no teu prédio estiverem a usar o mesmo canal, o sinal de toda a gente fica mais fraco devido ao congestionamento.
Na banda de 2.4 GHz, existem apenas três canais que verdadeiramente não se sobrepõem: 1, 6 e 11. A maioria dos routers vem configurada por defeito no canal 6, o que causa muita interferência em zonas densamente povoadas.
Podes usar a mesma app de análise de Wi-Fi para verificar quais os canais menos ocupados no teu prédio e alterar as definições do teu router para esse canal. Se o teu router suportar 5 GHz (e em 2026 já devia), usa essa banda. O alcance é menor, mas a velocidade é maior e há muito menos interferência.

Às vezes só precisas de uma ajuda extra (que já tens em casa)
Sabias que a maioria dos routers tem capacidade de funcionar como repetidor? Isto significa que, além de receberem internet da operadora, podem apenas receber o sinal Wi-Fi de outro router e repeti-lo, aumentando o alcance.
Se tiveres um router antigo guardado numa gaveta, podes configurá-lo para preencher uma zona morta. Tem apenas em atenção que, se o router for muito antigo, pode não ser o dispositivo mais seguro do mundo, mas para uso doméstico simples serve perfeitamente. É uma solução estilo “fita-cola”: não custa dinheiro e resolve o problema.
Corrigir zonas mortas não tem de custar uma fortuna. Estes ajustes inteligentes batem quase sempre a solução de atirar dinheiro ao problema comprando hardware novo sem necessidade.

