Num país que adora encher a boca com termos como “digitalização“, “transição tecnológica” e “inovação“, a realidade no interior de Portugal continua a ser um choque para muito boa gente. Ora olhe-se para o projeto-piloto “Multibanco Mais Perto”, que arrancou recentemente em 30 freguesias isoladas do país.
Sim, à primeira vista até parece uma iniciativa nobre para apoiar populações envelhecidas. Mas, após um olhar mais atento… É só estranho.
Ou seja, em vez de a banca e a SIBS instalarem caixas automáticas (ATMs) e assumirem os respetivos custos de eletricidade, manutenção e transporte de valores, a “brilhante” solução encontrada passa por meter os funcionários das Juntas de Freguesia a fazer o papel de caixas do banco. É isso mesmo que leste! A máquina multibanco vai ser uma pessoa, que se calhar até te conhece.
No fim do dia, o Estado disponibiliza instalações e trabalhadores pagos pelo contribuinte para resolver o problema de empresas privadas que fecharam balcões à doida nos últimos anos para maximizar lucros.
Vais ao multibanco? Mais ou menos. Agora é como ir ao café.

É inegável que a população idosa do interior precisa de ter acesso a dinheiro físico. Fazer 40 ou 50 quilómetros para ir a um caixa automático levantar a reforma é um bocado violento. No entanto, transformar a junta local num balcão bancário improvisado, onde o dinheiro tem de ser adiantado ou gerido localmente por funcionários públicos, faz muito pouco sentido.
Consegues imaginar querer levantar uma quantia mais alta, e a outra pessoa dizer “tanto? Para quê?”.
A modernização que afinal é um recuo de 40 anos
Numa altura em que se fala de inteligência artificial, pagamentos contactless e balcões 100% digitais, a resposta nacional para a desertificação bancária é meter o “Sr. António da Junta” a entregar notas em mão à terça-feira à tarde. É o cúmulo da preguiça tecnológica e da falta de visão de quem gere o país.







