O Mounjaro em Portugal está a vender como nunca e a Ordem dos Médicos quer perceber porquê. A Ordem pediu ao Infarmed informação sobre a forma como o medicamento está a ser prescrito. A notícia é do Diário de Notícias e surge depois de as vendas terem passado o milhão de euros num único dia.
O que pediu a Ordem dos Médicos
O bastonário quer saber, com detalhe e rigor, se as regras de comercialização e de prescrição se estão a cumprir. O pedido ao Infarmed não significa que a Ordem tenha concluído que há uso irregular. O objetivo é obter dados para avaliar a dimensão da utilização e perceber o que se passa no mercado português.

Em setembro, venderam-se mais de 3.000 embalagens num único dia nas farmácias portuguesas. A consultora HMR foi a primeira a sinalizar que um produto tinha ultrapassado o milhão de euros de vendas diárias. O DN confirmou que se tratava do Mounjaro. Uma fonte do setor disse ao jornal que o mesmo valor já se tinha atingido em dois dias de agosto.
Quanto custa e como se usa
Entretanto o Mounjaro tem como substância ativa a tirzepatida e chegou ao mercado português a 1 de novembro de 2024. Assim injeta-se uma vez por semana e só se vende com receita médica. Cada embalagem custa entre 180 e 400 euros, consoante a dosagem. O Estado não comparticipa o medicamento. Nos primeiros três meses de 2026, o Mounjaro e o Wegovy somaram 55,2 milhões de euros em vendas, segundo dados do Infarmed.
Um tratamento que não é só para emagrecer
O Mounjaro está indicado para a diabetes e para o controlo do peso. O Wegovy usa outra substância ativa, a semaglutida. Os dois atuam em mecanismos hormonais ligados ao apetite e à saciedade. Segundo o 24 Notícias, não são medicamentos para quem quer apenas perder alguns quilos. O uso para controlo do peso obedece a critérios médicos específicos e exige prescrição e acompanhamento clínico. Como o tratamento costuma ser continuado, o custo para o doente pode chegar a milhares de euros por ano.
O que dizem os especialistas
Entretanto Helena Cortez-Pinto, ouvida pelo DN, admite que o aumento das vendas pode indicar prescrição pouco criteriosa. Refere também a possível pressão dos próprios doentes. Alerta ainda para a importância de monitorizar o tratamento, por causa dos riscos e dos efeitos adversos.
As autoridades já andavam atentas
A popularidade destes medicamentos cresceu depressa. As autoridades europeias mostraram preocupação com a venda ilegal de produtos apresentados como análogos do GLP-1, através da internet e das redes sociais. Em 2025, segundo o 24 Notícias, a Polícia Judiciária deteve uma médica suspeita de prescrever medicamentos deste tipo. O DN refere que receitava a falsos diabéticos, para perderem peso. O Infarmed estuda ainda o impacto económico de uma eventual comparticipação.
Se estás a pensar iniciar um tratamento destes, fala primeiro com o teu médico.








