Motorola RAZR 70 Plus: Durante os seus primeiros anos, o mercado dos smartphones dobráveis parecia pouco mais do que um teste beta pago a preço de ouro. Isto é especialmente verdade depois do primeiro grande falhanço deste mercado, na forma do primeiro Galaxy Fold.
A teoria era bonita, mas na prática estávamos a comprar protótipos frágeis com ecrãs de plástico que riscam com um sopro. Dito tudo isto, e avançando para 2026, a história mudou bastante. Já ninguém compra um dobrável só para impressionar os amigos e familiares. Hoje exigimos desempenho, durabilidade e uma experiência do dia a dia sem compromissos estúpidos.
Além disso, já existem propostas a preços que fazem sentido.
Foi precisamente com esta premissa que passei as últimas semanas com o Motorola Razr Plus 2026 (conhecido internacionalmente como Razr 70 Plus). E a conclusão é simples, a Motorola acertou em alguma coisa com este aparelho. O que não é nada fácil neste mercado.
Construção de qualidade. Não parece um brinquedo.

A melhor coisa que um bom dobrávle pode fazer, é fazer-nos esquecer que ele se dobra. Ou seja, dar confiança que vai abrir e fechar ao longo de muito tempo sem quaisquer problemas associados.
Dito tudo isto, a sensação imediata é de uma solidez absoluta. A dobradiça oferece uma resistência fluida e segura, fechando com um estalido firme e sem qualquer tipo de folga ou ruído parasita. Até podes fechar com mais força, que não tem problema algum.
Além disso, o acabamento na traseira também garante que não vamos ter dedadas e escorregadelas em mesas ou sofás, o que também é uma bela ideia.
No capítulo da proteção, o dispositivo conta com certificação IP48. Significa que aguenta um mergulho acidental em água doce, embora exija os cuidados habituais com a poeira e a areia da praia para não danificar o ecrã flexível interno.
O ecrã exterior está cada vez melhor.

Ter um dobrável do tipo “concha”, normalmente mais conhecido como “Flip”, significa que para ter acesso ao uso normal de um smartphone, vais ter de o abrir. O que nem sempre é desejável. Por isso, as fabricantes andam a apostar cada vez mais no ecrã secundário, e claro está, aqui aparece em grande forma. A Motorola permite-te correr qualquer aplicação no ecrã exterior.
Isto significa que podes responder a mensagens, navegar no Google Maps, ver vídeos no YouTube ou até andar no feed das redes sociais sem ter de abrir o telemóvel uma única vez. Também podes tirar selfies com o telemóvel fechado de forma a aproveitar o módulo de câmaras traseiro, e de facto, quando estás a tirar fotos a alguém, essa pessoa consegue ver no ecrã como a foto vai ficar. São bons bónus.
Dito tiudo isto, quando abres o equipamento, deparas-te com um painel principal LTPO AMOLED de 6.9 polegadas com uma taxa de atualização brutal de 165Hz. O pico de brilho de 1.500 nits garante excelente visibilidade ao sol, e o vinco central, que é o trauma de qualquer dobrável, é praticamente impercetível no uso diário dentro ou fora de casa.
Performance e Software: Onde está o truque?

A equipar este dobrável temos o processador Snapdragon 8s Gen 3, acompanhado por uns generosos 12GB de RAM e 256GB de armazenamento UFS 4.0. Não é o chip ultra-topo de gama mais caro da Qualcomm, mas… Também não era preciso.
Temos o ponto ideal entre desempenho e eficiência energética. Por isso, jogos pesados como Genshin Impact ou Honkai: Star Rail correm sem soluços em definições altas.
No entanto, convém notar que o chassi fino aquece ligeiramente sob carga pesada contínua, algo perfeitamente expectável pela física envolvida neste formato. (Isto é especialmente verdade se usares o aparelho sem fios para Android Auto ou Apple CarPlay).
Dito tudo isto, o software é provavelmente uma das melhores coisas deste telemóvel. A Motorola manteve a interface limpa, muito próxima daquilo que a Google faz nos seus Pixel. Sem lixo de aplicações patrocinadas, sem publicidade enfiada nos menus do sistema e com uma integração perfeita da inteligência artificial do Google Gemini a partir do próprio ecrã exterior.
É rápido e fluído.
Bateria e Câmaras
Enfiar uma bateria de 4.500 mAh num corpo dobrável é um feito de engenharia considerável. Por isso, com uma utilização mista inteligente, alternando entre o ecrã de fora para coisas rápidas e o ecrã interno para tarefas maiores, o telemóvel chega facilmente ao fim do dia. O carregamento rápido de 45W com fios permite ir dos 0 aos 70% em cerca de 30 minutos, contando ainda com carregamento sem fios de 15W.
Nas câmaras, o conjunto de dois sensores de 50MP (principal e ultra-wide com modo macro) entrega fotos muito competentes durante o dia, com bom detalhe e contraste. Mas, estes dois sensores não te vão dar a experiência de um topo de gama a sério. Vais notar dificuldades em alguns ambientes, especialmente quando a iluminação não é a melhor.
Depois, tens também de dizer adeus ao zoom, porque não há espaço para uma lente telefoto.
Ainda assim, não está nada mal, como podes ver em baixo.

Vale a pena comprar?
É um belo dobrável. De facto, deixou de ser um protótipo experimental para se transformar num topo de gama diário, estiloso e extremamente funcional.
Se procuras um telemóvel “Flip” com o ecrã exterior mais útil do mercado, um software limpo e uma construção premium que não escorrega da mão, esta é uma das melhores opções do momento. Especialmente porque o preço está muito interessante para o nosso mercado (899€). Especialmente nesta altura do campeonato em que o preço dos smartphones de topo anda pelas ruas da amargura.







