Há conselhos sobre carros que parecem vir inscritos numa tábua sagrada: “mete sempre gasolina 98”, “deixa o carro a aquecer”, “troca o óleo de 3 em 3 mil”. O problema? Muitos desses conselhos faziam sentido… nos anos 70. Hoje, com motores modernos, óleos sintéticos e eletrónica por todo o lado, muita coisa mudou. Vamos aos mitos sobre carros que continuam a circular e ao que realmente interessa.
1. “Gasolina premium é sempre melhor para o carro”
Nem sempre. Alguns carros desportivos ou modelos específicos pedem mesmo gasolina de maior octanagem e aí convém respeitar o manual.
Mas para a maioria dos carros normais: Se o fabricante diz que pode usar 95, e tu metes 98 “porque é melhor”, o mais provável é estares só a gastar mais dinheiro. Os motores modernos ajustam a ignição para evitar “bater de pino”, por isso não ganhas milagres em consumo ou desempenho no dia a dia.

2. “Tens de aquecer o carro ao ralenti antes de andar”: é um dos grandes mitos sobre carros
A imagem clássica: alguém liga o carro, deixa aquilo ali a ronronar 5 minutos e só depois arranca.
Entretanto isto fazia algum sentido em carros antigos, com óleos mais grossos e carburadores.
Hoje: os motores com injeção eletrónica fazem a gestão sozinhos; O óleo chega rapidamente a todo o lado em poucos segundos.
Regra prática: 30 segundos chegam bem. A melhor forma de “aquecer” o carro é… começar a andar com calma.
3. “Troca de óleo de 3 em 3 mil milhas (5.000 km) ou rebenta”
Este é um clássico de oficina. A verdade é que a maioria dos carros modernos usa óleo sintético, que aguenta 7.500, 10.000 km ou mais,
Muitos modelos já têm monitor de vida do óleo no painel.

Trocar demasiado cedo não faz melhor ao motor, faz é pior à carteira.
Moral da história: segue o manual do teu carro, não a placa genérica da bomba ou do stand.
4. “Meter o carro em ponto morto a descer poupa combustível”
Parece lógico: se o carro vai embalado, sem acelarar, deve gastar menos, certo?
Errado pelo menos nos carros modernos. Quando vais engrenado (em velocidade) e tiras o pé do acelerador, a centralina corta quase totalmente o combustível. Se metes ponto morto, o motor tem de continuar a injetar gasolina para se manter a trabalhar ao ralenti.
Resultado: não poupas e ficas com menos controlo sobre o carro. Nem é grande ideia em termos de segurança.
5. “Desligar o ar condicionado reduz SEMPRE o consumo”
Depende. O mito diz: AC ligado = mais esforço no motor = mais consumo.
Mas em velocidades baixas, andar com os vidros abertos até pode ser mais eficiente.
Em autoestrada, com os vidros todos escancarados, o carro ganha imenso arrasto aerodinâmico e o consumo sobe.

Ou seja:
– Cidade: podes desligar o AC e baixar os vidros, se suportares o calor.
– Estrada/autoestrada: muitas vezes é melhor ter AC ligado e vidros fechados do que parecer um paraquedas.
6. “Encher os pneus até ao máximo PSI dá estouro”
Entretanto nos pneus está escrito um valor de pressão máxima. Assim daí nasceu a ideia: “se chegares lá, arriscas um rebentamento”.
Na prática:
O valor do flanco é a pressão máxima para a carga máxima e assim o pneu rebenta muito acima disso.
Agora: não é por isso que deves andar sempre no limite.
Entretanto pneus demasiado cheios desgastam mais no centro e pioram o conforto e a aderência.
O que interessa mesmo é: seguir o valor recomendado pelo fabricante do carro (normalmente na porta ou no manual).
7. “Carros elétricos ardem mais do que os a gasolina”
Os vídeos de elétricos a arder fazem sempre manchetes e sim, baterias em chamas são mais difíceis de apagar.

Mas em termos de probabilidade:
Os dados de países que registam estes casos mostram que os carros a combustão têm muito mais fogos por número de veículos do que elétricos.
O que muda é que, quando um elétrico arde, a operação dos bombeiros é mais complexa e chama mais atenção.
Conclusão: o risco existe (como em qualquer carro), mas não é maior só por ser elétrico.
8. “Andar sempre quase na reserva não faz mal”
Má ideia. Quando estás constantemente a deixar o ponteiro colado à reserva e a “ver até onde aguenta” estás a castigar a bomba de combustível (que é arrefecida pelo próprio combustível) e a aumentar o risco de puxar porcaria do fundo do depósito para o sistema.
Não precisas de andar sempre cheio até cima, mas:
Reabastecer quando estás a 1/4 de depósito é muito mais saudável para o carro.
9. “O melhor carro usado é o que tem menos quilómetros”
“Poucos quilómetros, está novo!” – nem sempre.
Coisas a ter em conta:
Um carro com quilometragem muito baixa mas muitos anos pode ter passado a vida parada e isso pode significar problemas em borrachas, vedantes, filtros, bateria, etc.
Entretanto em motores diesel, muitos trajetos curtinhos e pouca autoestrada podem dar dores de cabeça com o filtro de partículas.
Assim mais importante do que só ver o número no conta-quilómetros é:
- Histórico de manutenção,
- Tipo de uso,
- Inspeções,
- E, claro, estado geral.
