És muito novo se não te lembras. Havia uma bicicleta que todos os miúdos queriam ter, aquela com suspensão, ar de moto de cross e um estilo que fazia inveja a meio bairro. Pois bem: a marca que a criou acaba de bater no fundo. A Torrot, fundada em 1948, declarou-se insolvente e pediu a liquidação. É, basicamente, o fim de uma história com mais de 75 anos. Na prática um mito da nossa infância chega ao fim.
O mito da nossa infância que toda uma geração quis ter
Quem cresceu a ver televisão nos anos 80 vai reconhecer o cenário: sol a rachar, miúdos em bicicleta e uma melodia impossível de tirar da cabeça. Falamos da série espanhola Verano Azul (ou Verão Azul por cá), um fenómeno de tal forma grande que, segundo a televisão pública espanhola, em 1995 mais de 91% dos espanhóis já tinha visto pelo menos um episódio.
E o grande objeto de desejo que saía do ecrã? A Torrot Cross MX, uma bicicleta infantil com amortecedores que parecia uma moto a sério. Numa altura em que ainda nem se falava de BMX nem de mountain bike por cá, aquilo era ficção científica sobre duas rodas. Tornou-se um símbolo de toda uma geração e a marca por trás dela era a Torrot.
De 1948 à reinvenção elétrica
A história da Torrot é mais rica do que parece. Nascida em Vitória, em Espanha, começou por fabricar bicicletas e acabou a meter-se também no mundo dos ciclomotores e das motos. Durante décadas, foi companhia de várias gerações, com modelos que ficaram na memória, sobretudo entre os mais novos.
Depois de desaparecer nos anos 90, a marca anunciou o regresso em 2011, desta vez apostada na mobilidade elétrica. Mas sem esquecer as raízes: continuou a lançar pequenas motos de cross elétricas para miúdos e jovens, herdeiras diretas daquela Cross MX que todos sonhámos ter.
Insolvência, concurso de credores e despedimentos à vista
Entretanto a realidade de hoje não tem nada a ver com os anos dourados. Assim com sede em Salt (Girona), a Torrot entrou em concurso de credores voluntário depois de se declarar insolvente, incapaz de fazer face aos pagamentos. E foi mais longe: pediu a liquidação da sociedade, o que pode pôr um ponto final definitivo na atividade.
O tribunal de comércio de Girona já declarou o concurso e nomeou um administrador para gerir o processo. Segundo o que foi avançado, os problemas financeiros arrastavam-se há tempo, apesar de uma anterior reestruturação da dívida. A abertura da fase de liquidação implica a dissolução da empresa e afeta uma equipa de menos de 50 trabalhadores, que enfrentam agora um cenário de possíveis despedimentos.
O fim de um pedaço da nossa memória
No fundo, a queda da Torrot é mais do que uma notícia económica. É o fim de uma marca que, durante décadas, vendeu liberdade, verão e infância sobre duas rodas. Aquela bicicleta que tantos quiseram e que poucos tiveram passa agora a ser oficialmente história.
E confessa: só de leres isto, já tens a melodia daquela série na cabeça, não tens?






